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| Fotografia da minha autoria |
«You are the light»
Os acasos da nossa jornada podem conter traços surpreendentes. Por isso, deleito-me sempre que me cruzo com novos artistas, naqueles momentos em que parece que os astros se alinham, apenas para conhecermos uma sonoridade inspiradora. E foi isso que me aconteceu com António Graça, mais conhecido por Left.
O seu registo musical conquistou-me de imediato, atendendo a que tem tanto de dançável, como de reflexivo. Portanto, soube do lançamento do seu disco de estreia com um enorme entusiasmo. Perspective divide-se em 14 temas, espelhando a importância que os diversos panoramas de um mesmo plano exercem durante o seu processo criativo e a sua vida. Porque «tudo depende de uma perspetiva». Aliás, «a confiança e a insegurança, o amor e o ódio, a fé a descrença são tudo adaptações da mesma essência, [mas] com cores diferentes».
Como o próprio mencionou, foi esta dinâmica que lhe potenciou uma noção valiosa, uma vez que «não há nada sem um ponto de observação ou de contraste». Além disso, é neste contraponto que vamos viajando, compreendo que, nas suas letras, existem muitas visões do mundo, limitações e a consciência que a sua análise pode já não fazer sentido. Mas é isso que implica crescer. Em simultâneo, torna-se evidente que quer «ser muitas coisas ao mesmo tempo», sem, no entanto, perder o foco. E foi esta pluralidade que me cativou e que me fez apaixonar por este álbum. Porque é rico em emoções, sensações, pensamentos e realidades.
Perspective tem um toque eletrónico e profundo; e uma identidade que sustenta cada canção com poder individual. Porém, é o conjunto que nos arrebata com todas as suas camadas, alargando-nos os horizontes.
