I

Primeiro nos tomaram nosso chão,
Depois de tantas lutas, de sevícias,
De sangue derramado por milícias
Nos pantanais, cerrados e sertão.

Estavam construindo uma Nação
Erguida co’s esteios das sordícias!
Com falsos brindes! Álcool! E malícias!
E tudo se repete, desde então.

Tiraram todo o ouro das jazidas,
Agora querem as águas, querem os rios,
Que sempre foram livres, corredios!

Agora querem o pouco que nos resta,
Como se vê! E a história sempre atesta,
Não basta o que tiraram! Terras! Vidas!

II

E foram tantas mortes! Vis chacinas!
Em nome do Progresso, Cruz e Espada,
A América invadida e ensangüentada,
Por mãos tão torpes, duras, assassinas!

Violentadas mães! Avós! Meninas!
Depois de muita guerra e luta armada
De muitos povos nem restou mais nada,
E tudo terminou em mãos sovinas.

A oferta da bebida - grande arma –
A espada, o vírus! Espelhos! Sedução!
O fim de tantos sonhos, tantos povos!

E os novos invasores! Quem desarma?
Quem vai conter agora a dura mão?
E dar à história rumos outros? Novos!