Contava ter escrito sobre a última noite das Correntes d’Escritas no passado Domingo. Imaginei que me sentaria no comboio e, aproveitando o já estar a sentir falta do ritmo alucinante dos últimos dias, partilharia aqui a lista dos premiados Ler/Booktailors deste ano, contaria uma ou duas das muitas histórias da noite e preparar-me-ia para a última mesa das Correntes, já em Lisboa, no dia seguinte. O que não podia imaginar era que um qualquer vírus gripal me iria atacar os pulmões, obrigando-me a passar a viagem de comboio tossindo convulsivamente e devolvendo-me a casa com muita febre e poucas forças. Contra vírus não há argumentos e ficou tudo por fazer.
Sobre a última noite das Correntes, a noite mais longa do Hotel Axis Vermar, posso dizer que houve quem afinasse vozes para cantos de trabalho sob a batuta tímida de Hélia Correia, quem ensaiasse a ‘Grândola’ a pensar na manifestação do dia 2 de Março, ou o ‘Acordai’, ou várias outras canções que a memória ainda não esqueceu. Descobriu-se que o mais recente Prémio Leya, Nuno Camarneiro, é dono de uma voz portentosa e conhecedor do cancioneiro tradicional. Planeou-se uma tomada de poder de modo a correr com a Troika e o Governo, mas houve logo uma cisão entre quem queria dar uns cascudos aos actuais governantes (e isto dos cascudos sou eu a ser simpática, porque ouvi falar em rótulas trituradas e biqueiros no sacro, com pronúncia no Norte e tudo) e quem achava que a via pacífica era mais produtiva. Também se falou de livros, de jornais, de futebol, mas este foi o ano mais político de todas as edições das Correntes a que assisti, pelo que será a cantoria revolucionária que me vai ficar na memória dessa última noite na Póvoa.
Quanto aos Prémios Ler/Booktailors, aqui fica a lista completa dos premiados. E fica também o vídeo da Orfeu Negro, que não foi receber o seu prémio mas arranjou uma forma muito mais inesquecível de o agradecer.
