13/04/2010

por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

Para quem ainda não visitou: visite. Para quem o fez, sabe que  no post “Livro para ler/reler”, Eu, Eduardo e Leonardo listamos os livros que pretendemos nos aventurar futuramente (mesmo que não seja na ordem colocada – eu memso pretendo seguir aquela ordem); assim, quando terminar esssa lista, tenho mais um livro em mente para releitura.

Todos devemos lê-lo e relê-lo.

11/04/2010

por José Reinaldo do Nascimento Filho

Faulkner está de volta ao posts rápidos; e com o mesmo livro. Coincidência? Não. Devemos isso ao dono do livro, Leonardo.

Lembro da felicidade estampada em seu rosto ao falar desse romancista. Hoje, após a leitura de 50% da obra, percebo que as suas palavras realmente tinham sentido: uma aula (ele não disse isso, coloquei para ficar impactante). É assim que defino Luz em Agosto. De antemão queria dizer que para lê-lo é preciso muita atenção e paciência; qualquer eventual mania de ler rapidamente pelo simples fato de colecionar livros quebra toda a lógica da obra – além, é claro, da própria “quebra” que o autor nos faz passar, quando bruscamente entrelaça a estória com passado e presente, tornando-se, às vezes, quase impossível de perceber a mudança.

Como o Leonardo havia colocado “Nunca vi(mos) alguém usar metáforas tão inesperadas” e reflexões tão complexas, e isso nos faz querer “imitá-lo” – ou seria aprender com ele? Perceber nas metáforas e nos raciocínios, possibilidades de aprendizado, e não somente a leitura-pela- leitura, mas uma leitura-em- busca- da- escrita.

Um exercício interessante, como conversava com o Leo, é de ler e reler, quase que no mesmo instante, uma passagem, reflexão, um parágrafo, e se possível transquevê-lo para um papel, para que, futuramente, sirva-nos de inspiração ou citação. Com o tempo o que foi deles – dos autores que lemos – também será nosso, ou seja, a capacidade de elaborar e criar com as palavras, momentos tão fascinantes e inesquecíveis.

Para apreciação de todos, disponho para vocês (que não tiveram oportunidade de tê-los em mãos) alguns trechos, que para mim, estão guardados com muita alegria e orgulho (um orgulho bom, claro):

“Não há nada tão solitário quanto um homem encorpado percorrendo uma rua deserta. Ele, porém, mesmo não sendo grande, nem alto, conseguia de certa forma parecer mais solitário que um poste telefônico no meio do deserto.”

“A memória lembra antes de o conhecimento lembrar. Acredita um tempo maior do que recorda, um tempo maior até do que o conhecimento imagina.”

“Tire a calça, disse. “Não vamos sujá-la” (…) Então o menino ficou parado, a calça arriada nos pés, as pernas expostas abaixo da camisa curta. Ele ficou de pé, esguio, preto. Quando a correia desceu, não se esquivou, nenhum estremecimento percorreu o seu rosto. Olhava direto para a frente, com a expressão calma, absorta, como um monge numa estampa. McEachern começou a bater metodicamente, com lenta e deliberada força, ainda sem calor nem ódio. Seria difícil dizer qual dos dois tinha o semblante mais concentrado, mais calmo, mais convicto.”

“Quando foi pra cama, naquela noite, sua mente estava decidida a fugir. Sentia-se como uma águia: duro, capaz, poderoso, implacável, forte. Mas isso passou, embora ele não percebesse então, como a águia, que sua própria carne bem como todo o espaço era ainda uma gaiola.”

“Ele não a agrediu; sua mão no braço dela foi muito suave. Foi apenas apressada, afastando-a do caminho, da porta. Ele a puxou para o lado como faria com uma cortina que vedasse a passagem.”