Por José Leonardo Ribeiro Nascimento
São as pequenas gratas surpresas que fazem de uma livraria qualquer um dos melhores lugares do mundo: estou em João Pessoa, hospedado em uma simples, mas honesta pousada. Saí à procura de pão e havaianas (esqueci as minhas em Aracaju) e descobri uma livraria a cinquenta metros do hotel. Algo me disse, quando decidi visitá-la (ou seja, um milésimo de segundo após eu avistá-la), que aquela livraria era especial. Entro e, naturalmente, vou direto à seção de ficção. Deparo-me, de cara, não com um George Bernanos, mas com três, quase ao lado de Lavoura Arcaica! Encontro ainda alguns clássicos em suas alternativas não óbvias: Joyce e seu Retrato de um artista quando jovem, Lúcio Cardoso e Dias Perdidos, Kafka e O Castelo, Melville e Bartleby, o escrivão. Ainda vejo Thomas Pynchon e Doutor Pasavento! O Fausto na edição espetacular da Editora 34! Alguns novos escritores brasileiros muito bons, e o bom e velho João Antônio.
Saí dali feliz, apesar de não ter comprado nada. Fiquei com vontade de levar Mentira Romântica e Verdade Romanesca, de René Girard, mas terei tempo para pensar sobre isso.
Livrarias sempre nos acolhem bem, é só sabermos quem procurar.
(A livraria em questão é a Esquina das Letras, que fica no Zarinha Centro de Cultura: http://www.zarinha.com.br)
