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| Fotografia da minha autoria |
«É preciso ver o que não foi visto,
ver outra vez o que se viu já»
A meteorologia é um assunto sempre delicado. Numa semana em que a chuva foi a grande protagonista, a penúltima quinta-feira de agosto amanheceu num claro sinal de tréguas, o que era um bom indicativo para não desmarcarmos o passeio que estava idealizado. O problema é que, já perto de Tondela, percebemos a mudança climatérica pouco favorável e fomos obrigados a alterar a rota, até porque o objetivo não era fazer uma mera viagem de carro, mas, sim, explorar os locais definidos. Decididos a regressar a casa, ainda arriscamos numa outra paragem.
Penacova é uma vila do distrito de Coimbra. E conta com um dos maiores conjuntos de núcleos molinológicos do país. A sua localização geográfica, aliada à altitude e à existência de zonas ventosas, proporcionam as condições indicadas para que os habitantes do concelho aproveitem a força da Natureza. No entanto, antes de embarcarmos nesta aventura, estivemos a usufruir do Mirante Emygdio da Silva, onde o nosso olhar se perde pela paisagem soberba. Para além de sermos convidados a contemplar, aqui respira-se o ar puro da serra e do rio, fincando deslumbrados pelas cores e por um desenho que nos embala.
Com destino ao centro, pudemos desfrutar da Pérgola Raúl Lino, que nos oferece uma panorâmica inacreditável a partir das suas varandas. Encontramos os jardins do Largo Alberto Leitão, que me atraiu logo por ter uma Pão de Forma, aludindo à famosa N2. E, relativamente perto, vimos, também, a Igreja Matriz. Embora tenha sido uma visita mais célere, percebi que as fachadas conservam um traço pitoresco e que há um vasto património a merecer uma análise mais cuidada. Despedindo-nos deste lugar único e deslumbrante, fomos conhecer algo que me fascina.
Atendendo a que íamos com um nome na cabeça, fomos subindo até aos Moinhos de Gavinhos. Apesar de estar, parcialmente, ao abandono, não deixa de ser um local com uma certa magia, até porque a serra que nos envolve contribui para um ambiente mais místico. Quando chegamos, somos recebidos por uma imagem do Imaculado Coração de Maria, «como que a abençoar os ventos, a vila e o trabalho dos moinhos». No total, existem 14 exemplares. Três deles ainda apresentam boas condições de funcionamento, mas apenas um se mantém ativo «pela mão do único moleiro da aldeia». A título de curiosidade, sobretudo por potenciar uma experiência enriquecedora, parece que é possível visitar e observar o trabalho do moleiro, nesta «arte que se procura preservar».
Para finalizar, passamos pelo Museu do Moinho. Se puderem, partam à descoberta de Penacova. A Natureza vive mesmo nos seus recantos.
Já estiveram por Penacova?


























