04
Nov13
Maria do Rosário Pedreira
No ano de 1997, em que Portugal foi o país convidado da Feira Internacional do Livro de Frankfurt, trabalhei no escritório que organizou a programação do acontecimento. E lembro-me muito bem de que, ao elaborar a lista dos autores que se deslocariam àquele certame para leituras e mesas-redondas, a direcção e o comissário da literatura (havia outros comissários para as artes visuais e performativas, pois estavam previstos espectáculos e exposições por toda a cidade a par das sessões literárias) decidiram – e bem – incluir autores estrangeiros lusófilos (como o pessoano Antonio Tabucchi) e lusófonos, tendo a comitiva integrado Mia Couto, Germano Almeida e João Ubaldo Ribeiro, entre outros, representantes de pleno direito da literatura em língua portuguesa. Este ano, o Brasil foi, pela segunda vez, o convidado de honra da Feira de Frankfurt, e foram muitos os escritores brasileiros presentes na Alemanha. Portugueses na comitiva não havia. Nada contra. O discurso de abertura, na voz de um autor de peso – Luiz Ruffato, cuja vida lembra um pouco a de Lula da Silva, porquanto foi também um operário de origem extremamente humilde –, foi, de resto, bastante crítico do colonizador branco, que terá dizimado as tribos de índios e estuprado as escravas vindas de África, produzindo uma população mestiça que continua até hoje na base da pirâmide social. Razão para dizer: Ora toma, que já almoçaste... O discurso sobre a desigualdade naquela que é hoje a sétima economia mundial prossegue, apontando o dedo a muita gente – e vale a pena lê-lo, até pela peça literária que é. Deixo-vos, pois, o link.