Fotografia da minha autoria

«(...) encontram as minhas raízes»

Avisos de Conteúdo: Violência, Homicídios

O livro abre-se para um mundo de caminhos e possibilidades. E nós, enquanto leitores curiosos, oscilamos entre a quase certeza de estarmos perante uma história de ficção e a dúvida de ficarmos a conhecer apontamentos reais da vida do autor. Neste balançar paralelo, vai-se construindo uma relação de proximidade. E, desta vez, recuei à primeira infância de Jorge Amado, para descobrir uma das suas obras mais queridas.

«Tem vinte anos e seu coração está cheio de saudades»

Terras do Sem Fim é um romance com um tom autobiográfico, pois foi inspirado no pai do escritor. Assim, «é a partir do sangue com o qual foi criado, que contém o tiroteio que ressoou durante o seu crescimento», que embarcamos num testemunho crítico, que procura promover a igualdade entre a população. Porém, a narrativa fica marcada pelo forte conflito entre duas famílias, dispostas a não pouparem esforços para conquistar as matas de Sequeiro Grande e, então, ampliar a riqueza. Ignorando laços familiares, é a ganância que prospera.

«Se acostumara com tudo, não sonhava mais»

O cacau é o tema central deste enredo, mas transporta-nos para algo muito maior: o lado mais primitivo do ser humano. Com uma escrita simples, quase melodiosa, Jorge Amado envolve-nos em amores, quezílias, traições e dramas emocionais, ao mesmo tempo que aborda questões políticas. Em Terras do Sem Fim, os limites morais são, facilmente, ultrapassados. E o sangue é, inúmeras vezes, o adubo dos terrenos circundantes.

«As noites passaram a ser cheias de medo, de mistério e de surpresas»