24
Set14
Maria do Rosário Pedreira
No ano passado, entre outras novidades, tive o prazer que publicar o primeiro romance de Ana Margarida de Carvalho, jornalista da Visão que se atreveu à ficção e logo se viu que a devia ter escrito toda a vida, nem que fosse apenas dentro de si. Essa obra de estreia tinha como título um verso de uma canção de Zeca Afonso – Que Importa a Fúria do Mar – e recebeu, como merecia, encómios da crítica e dos leitores, sendo reeditada pouco depois, o que é um feito raro tratando-se do livro de uma autora até então desconhecida. O enredo dividia-se por dois tempos distintos – o da ditadura, com um protagonista enviado para o Tarrafal, e o presente, com uma jornalista que entrevista esse homem, agora velho, para um programa de televisão; e muito se poderia dizer desse encontro, mas nada substitui a leitura do romance. Em todo o caso, vai ser muito bom ouvir falar dele logo à noite, na Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, numa sessão organizada por António Redol, filho do escritor Alves Redol, e apadrinhada pelo Museu do Neo-Realismo, na qual contaremos com a presença de Domingos Lobo a apresentar o livro. Se estiver por perto, não deixe de aparecer. Senão, leia o livro.
