Degoix,_Celestino_(floruit_1860-1890)_-_Donna_con_velo_

CELESTE

É tão divina a angelica apparencia

E a graça que illumina o rosto d’ella,

Que eu concebera o typo da innocencia

Nessa criança immaculada e bella.

Peregrina do céo, pallida estrella,

Exilada da etherea transparencia,

Sua origem não póde ser aquella

Da nossa triste e misera existência.

Tem a celeste e ingênua formosura

E a luminosa auréola sacrosanta

De uma visão do céo, candida e pura;

E, quando os olhos para o céo levanta,

Inundados da mystica doçura,

Nem parece mulher, — parece santa.

ADELINO FONTOURA.