Há uns dias demos algum destaque a Helder Moura Pereira que venceu o Prémio do Pen Clube de Poesia ex-aequo com Daniel Jonas. Na altura prometemos dar algum destaque a Daniel Jonas no futuro. Esse tempo chegou. Do livro Sonótono (Cotovia), uma das obras vencedoras, este poema, que é uma espécie de falso soneto, com 14 versos:
BENGALEIRO OU HORACIANAS
Físico o tractor quente arremessou
Contra as colheitas de ouro o breu de corvos
Trazendo a noite em ondas de onde andou
De foice afoita, a luz sugando a sorvos.
Modorrento, o vapor da chaminé,
Máquina de fazer nuvens, levando
Ondinas ao empíreo mar, rapé
Da paz entre titãs que ordenhando
Alheias colinas se houvessem mais
Desavindo. Van Gogh ou Fabergé:
Ovos de palha, gemas siderais
Chocados em estrelado canapé.
Entrar nesta pintura eu queria
Se à entrada não pedissem a poesia.
Pequena biografia de Daniel Jonas: nasce no Porto em 73. Para além de Sonótono, publicou mais três livros de poemas com destaque para “Os Fantasmas Inquilinos” (Cotovia, 2005). Traduziu uma edição comentada de "Paraíso Perdido", da autoria de John Milton (Cotovia, 2006)

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