06
Mar23
Elsa Filipe
A mulher sempre esteve presente na literatura, embora muitas vezes tenha sido propositadamente tornada invisível, ou a ela atribuído um papel menor. É importante refletirmos acerca do papel que a escrita feminina tem no panorama da literatura. Se hoje vemos muitos livros em que as autoras são mulheres, nem sempre foi fácil dar às mulheres escritoras esta visibilidade. Temos de enquadrar que por questões históricas, existia na sociedade um patriarcado machista, que oprimia as mulheres e as obrigava a permanecer na sombra dos membros do sexo masculino. A emancipação da mulher trouxe também aqui algum espaço em que se pudesse movimentar, fosse na sua representatividade no mundo do trabalho, fosse na política ou, claro está, na liberdade de publicar a sua arte, seja ela escrita ou outra. Para que isto fosse possível, a luta foi grande e, infelzmente, ainda existem mulheres reféns de um mundo patriarcal e opressor.
No que concerne à escrita, durante muito tempo as escritoras tiveram de se esconder atrás de pseudónimos ou publicando de forma anónima, o que antes era possível e frequente se fazer. Tinham medo de ser perseguidas e castigadas pelo que escreviam, ou que as suas obras fossem destruídas e não fossem publicadas, apenas por terem sido escritas por mulheres.
Ainda bem recentemente, foi recomendado a uma escritora que colocasse na capa dos seus livros apenas as iniciais e o seu apelido, para que não se associasse o livro a uma mulher. J.K. Rowling.
Durante muito tempo, era associado à mulher um tipo de escrita focado só no amor e em romances com finais dramáticos ou finais típicos de felizes para sempre. Se existem muitas mulheres que escrevem sobre o amor, também as há a escrever ficção científica (Ursila Le Guin), livros de mistério e policiais (Agatha Christie). E sabem quem escreveu "Frankenstein"? Sim, uma mulher: Mary Shelby, no século XIX, escreveu aquele que foi considerado o primeiro livro de ficção científica.
Em Portugal, há que destacar um nome: Florbela Espanca, que no início do século XX apresentou uma obra "carregada de feminilidade e erotização."
Um dos grande nomes que aqui não podia deixar de referir é o de Simone de Beauvoir que, também no século XX, apresentou "O segundo Sexo", bem como várias outras obras, entre as quais "Os Mandarins."
Fontes:
"A importância das mulheres na literatura", www.twinkle.pt
LUTAS, Sara, "Virginia Woolf e o papel da mulher na literatura", www.livrarialello.pt