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| Fotografia da minha autoria |
«Desfoca o seu umbigo e sente aquilo
que o seu próximo está sentindo»
Suspiro. Há algo que não consigo compreender: porque é que os teus problemas são mais sérios que os meus? Porque não sentes os danos que os meus infligem? Não é justificação. É que eu também não sinto os teus com a mesma propriedade e não é por isso que os menosprezo.
Estamos longe de ser alguém moralmente superior, com competência suficiente para colocar em causa a gravidade de certas situações. Catalogando-as. Descartando-as sem qualquer arrependimento. Portanto, mesmo achando que sim, não tens o direito de julgar as minhas queixas. As minhas inquietações. Com que direito tentas diminuí-las? Com que direito sobrepões as tuas? São válidas, claro. E eu aprendi a escutá-las com o coração nas mãos, embalando-te as lágrimas que retens. Só gostava que tivesses a mesma empatia pela minha bagagem emocional.
Essa tua prepotência tira-me as forças. Tira-me do sério. E não sou capaz de lidar com pessoas como tu. Logo, como valorizo muito a minha sanidade, não te permito engrandecer, colocando-te no centro do mundo, ocultando-me da equação. Os teus problemas não são mais importantes. São apenas teus. Não quebres a base do respeito que te relaciona com os demais. Porque, um dia, abres os olhos e só te resta o teu ego.
M, 23.03.2015
