Por José Eduardo Ribeiro Nascimento
A força da chuva aumentava. Três viajantes arriscavam-se a transitar na chuva pela estrada velha. O grupo incomum era formado por Rikon, um grande ciclope das cavernas, calado e de feições pouco amistosas, que levava atadas ao cinto duas maças de oito quilos cada; Irkhana, uma elfa das florestas, bela e perigosa com sua espada élfica e suas magias elementais; e por último Lion, habitante da decadente civilização de Atlântida.
Haviam se conhecido há poucos dias. Cada um tinha um objetivo pessoal que os fizera sair de casa para se aventurar pelo mundo; contudo, foram reunidos pelo acaso em torno de uma missão em comum: investigar o rapto da princesa que acontecera no dia do seu aniversário de quinze anos.
Metade dos aventureiros do reino foram mobilizados para aquela missão, e muitos deles tomaram os caminhos mais óbvios: procurar inimigos famosos, caçá-los dentro de suas masmorras, e forçá-los a falar. Lion, Rikon e Irkhana decidiram ir em direção contrária. Foram em busca de um antigo morador das florestas, um sábio, particularmente difícil de encontrar e entender, com suas charadas e meias palavras, mas que, dizia-se, sempre sabia de tudo. A pequena estrada para a floresta era deserta, poucos se atreviam a entrar ali, mas, ao menos eles acreditavam, valeria à pena.
Lion e Irkhana analisavam um mapa, enquanto Rikon tentava protegê-lo da chuva com seu enorme corpo. De repente Os ouvidos de Irkhana ouviram um grito, ela se separou do grupo e correu, seguindo a estrada. Lá na frente, saindo da floresta, uma carruagem descontrolada corria em sua direção. Fez sinal para os companheiros, e eles se colocaram a postos.
Rikon viu o cocheiro: estava morto, assassinado a flechadas. “Vamos interceptar. Se há uma mulher em perigo devemos ajudá-la, na velocidade que vão a carroça não aguentará e desfar-se-á em pedaços.” – Lion falou com firmeza. “É pra já!” Rikon correu em direção a carruagem que se aproximava e saltou em cima dos cavalos. Seu tamanho e enorme peso fizeram os cavalos reduzir a velocidade, mas não parar completamente. Lion e Irkhana saltaram sobre a carruagem. A ação foi rápida, sem incidentes: Lion tomou as rédeas do cocheiro morto e parou a carruagem, enquanto Irkhana entrava para averiguar a situação.
O cocheiro estava morto, alvejado por flechas goblinóides que trespassaram seu corpo e o assento de madeira, impedindo-o de cair. Dentro da carruagem a mulher estava morta: um grande ferimento em seu abdômen decorava a cena com um vermelho triste. A seu lado, um bebê chorava incosolável.
