16
Fev24
Maria do Rosário Pedreira
Num fim-de-semana em que estava a escrever um texto para as Correntes d'Escritas e não tinha grande disponibilidade para livros extensos, comecei um livrinho de Stefan Zweig, Foi Ele?, com tradução e posfácio de Francisco de Nolasco Santos. Zweig é quase sempre uma garantia de tempo bem passado, e esta novela, que foi escrita ainda antes de o autor ter ido viver para o Brasil mas só foi publicada já ele lá estava (de resto, estreou-se com uma edição em português), é um livro algo atípico na obra do escritor. Partindo da relação entre dois casais, um mais velho e o outro mais jovem, vizinhos recentes numa propriedade junto de Bath, a mulher mais velha decide oferecer ao casal mais jovem um cachorro para que o excessivamente enérgico Limpley gaste energias e deixe mais sossegada a sua Betsy. A paixão-devoção do homem pelo cão é, porém, de tal forma que passa a ser o cão a mandar no homem e nunca mais se largam. Mas eis que Betsy de repente sabe que vai ser mãe e o cachorro passa para segundo plano com conseguências bastante sérias. Vale a pena ler, ainda que a tradução às vezes pareça esquisita em certas passagens, mas o posfácio é bastante interessante, sobretudo nas comparações que faz com a aceitação e o entusiasmo iniciais com o nacional-socialismo.