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| Fotografia da minha autoria |
«Chegou o momento de deixar para trás o tédio»
Gatilhos: Referência a Pensamentos Suicidas
O segundo em que me cruzei com o nome Cláudia Andrade não está presente na minha memória, mas sei que foi uma sequência de partilhas sobre este livro que me fez incluí-la na lista de autores a ler no Alma Lusitana.
UM ROSTO QUE MUDA TUDO Caronte, na mitologia grega, é o barqueiro que carrega os mortos, que carrega as almas desprovidas de qualquer sonho e sentido. Nesta história, o Caronte espera por Artur, um homem reformado, completamente desapaixonado, que decide «colocar um ponto final na sua vida». No entanto, existe um rosto numa fotografia antiga que altera tudo, levando o protagonista a adiar o seu plano suicida por um pouco mais de tempo.
«Perguntava a si mesmo se também ela albergava esse secreto desejo de plenitude»
Confesso que me senti bastante dividida durante a leitura: por um lado, gostei da escrita metafórica, labiríntica, que transita entre «o sombrio e o cómico», mas, por outro, não me relacionei tanto com o enredo. Achei interessante a quase-obsessão de Artur e consigo entendê-la, afinal, todos nós precisamos de um propósito, de algo que «entretenha a existência». Ainda assim, faltou-me qualquer coisa, talvez um pouco mais de simplicidade, talvez um pouco mais de proximidade. A partir de certo ponto, ficou tudo demasiado ambíguo.
«Bem feitas as contas, talvez a única coisa realmente nossa sejam as mágoas»
O tema da morte e do suicídio, mais concretamente, são o eixo que permite à autora pôr em causa o sentido objetivo da vida, como partilhou numa entrevista. E isso torna-se evidente em Caronte à Espera, onde também explora a fragilidade do corpo, a velhice, a solidão, os desentendimentos amorosos, o medo, os danos causados pelo tempo e o peso do passado. Através desta personagem tão particular e das suas interações, embarcamos numa viagem interior, de conhecimento pessoal, que nos deixa a pensar se há algum fundo de verdade ou se parte das suas vivências são um produto onírico, para se libertar dos seus fantasmas.
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