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| Fotografia da minha autoria |
«Sinto uma vontade que me afaga»
A escrita não é um mero processo. É um refúgio. É a nossa voz. E a nossa força. Porque, no meio das palavras, há um pedaço benigno da nossa alma, que permanece são e isento de qualquer maldade. E, pelos laços da poesia, embarcamos à camada visceral da nossa história. Tecendo em rimas os sonhos adormecidos de uma vida imprevisível.
Quando publiquei sobre os novos autores portugueses, tive o privilégio de ser contactada pela Cláudia Lopes, que, gentilmente, me cedeu o eBook do seu livro A Poesia que Sai Dentro de Mim. E eu não só fiquei sensibilizada com o gesto e a confiança, como também o fiquei pelo propósito desta obra. Porque é uma catarse, nascida da sua necessidade de combater a solidão e a tristeza, tão vincadas pelo bullying que sofreu na escola. Por essa razão, é notória a pluralidade de temas que submergem das profundezas do espírito e das relações interpessoais. Nem sempre saudáveis. Nem sempre destrutíveis. Numa dicotomia tão característica da nossa jornada, mas que nos pesa mais quando a base do respeito e da aceitação se perde em personalidades mal resolvidas.
O que mais me cativou foi, portanto, a sua forte componente emocional. A intensidade das sensações. O amor, o desamor, a nostalgia. Mas também a presença da Natureza nos seus versos. E é assim que, deambulando pelo valor da amizade, do desgosto, da paixão, do mar, da praia e da chuva, libertamos a mágoa e o sofrimento, para respirarmos paz, bravura e serenidade. Carece de uma revisão [responsabilidade que ultrapassa a autora], porque há alguns erros que quebram o ritmo da leitura. No entanto, não deixa de nos falar ao coração, até porque somos capazes de nos rever em determinadas situações. E emoções.
A Poesia que Sai Dentro de Mim é o desejo de libertar o passado. As feridas. E as lágrimas. Renascendo para uma vida muito mais plena.
Deixo-vos, agora, com algumas citações:
«Vagueio pelo destino à espera de ser encontrado
Fui enganado por aquele que me era mais chegado
Farto de ser julgado
Fui usado para a solidão» [p:86];
«Sento-me no canto húmido da janela
Escondida da sombra que me tenta prender
O silêncio instala-se na noite
Como se a fosse aprisionar» [p:163];
«Em breves vontades que aqui sinto
Desabrochando em ti,
Tudo o que por ti sinto» [p:191].
Também podem entrar em contacto com a autora aqui
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