Fotografia da minha autoria

«O mistério adensa-se»

Avisos de Conteúdo: Morte, Violência, Linguagem Explícita

Os Flamingos, segundo a tradição de um lugar no Sul de Moçambique, anunciam esperança. Portanto, não deixa de ser curioso - e, até, bastante irónico - que Mia Couto os tenha incluído no título do seu livro.

ENTRE A REALIDADE E A FANTASIA

O Último Voo do Flamingo transporta-nos para Tizangara, nos primeiros anos do pós-guerra. Apesar da aparente normalidade reposta nesta vila, existe algo de muito estranho que vem quebrar o processo de paz: os capacetes azuis destacados para vigiarem o processo começam a explodir. Sem se compreenderem as razões desse acontecimento, há uma pergunta a pairar: «morreram ou foram mortos»

«Quando o silêncio clareia é que se escutam os escuros presságios»

A narrativa, com vários trocadilhos, mitos e sabedoria popular, demonstra bem o quanto o país ficou traumatizado com a guerra e o quanto os habitantes estão a gerir os efeitos do colonialismo. Neste cenário de crise, verificamos como os poderosos roubam os mais desfavorecidos. Assim, somos confrontados pela corrupção, pelo crime e pelo abuso de poder que desfragmenta o povo.

«(...) cada um deixa cair o que não pode segurar»

Oscilando entre a realidade e a fantasia, deambulando entre vivos e mortos, Mia Couto, com a sua escrita poética, recupera o chão desta terra fragilizada para nos falar sobre ausência: de valores, de compromisso, de verdade por parte de quem tem nas mãos as ferramentas para um futuro melhor. Houve momentos do enredo que não funcionaram comigo, no entanto, é fascinante como o autor constrói as suas histórias e como transita entre assuntos tão sérios através de um recorrente jogo de palavras.

🎧 Música para acompanhar: Bloco Novo, Omar Sosa & Tiganá Santana

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