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Mai22

Maria do Rosário Pedreira

Tenho reparado ao longo da minha vida, em vários festivais e espectáculos, que muita gente que diz não gostar de ler poesia gosta, efectivamente, de ouvir ler poesia. A sorte para nós, que amamos a poesia, é haver muitíssima gente por esse país fora que a sabe dizer bem, porque, claro, se trata de grandes leitores , pessoas que a lêem há muito para si e para os outros, verdadeiros cultores desse género literário. No próximo dia 25, numa sessão intitulada Viagem ao Silêncio, o poeta e diseur José Anjos, na companhia de Paula Cortes (leitores), e com o acompanhamento musical de Alexandre Cortez (baixo) e Filipe Valentiom (piano), mostrarão no El Corte Inglés (às 18h30) como é bela a obra poética de Miguel Torga, esse criador que, como escreveu o grande Eduardo Lourenço, «podia dizer que escrevia como lavrava a terra». Com uma voz singular, a sua poesia faz a «apologia da natureza», tão esquecida da poesia contemporânea. E é bom que os jovens, como José Anjos, não se esqueçam destes poetas desaparecidos. Obrigada.