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Editora Novo Século – 2014 – Ficção norte americana – 327 páginas – Nota 4.

Comprei este livro porque vi muitos comentários positivos, enaltecendo a obra. Passei na frente de outros exemplares porque a capa é leve, quase um aconchego, não muito grande e parecendo ser uma leitura rápida. Assim que li a contra capa, deu-me um frio na barriga, porque há comentários sobre ser triste o fim. Um romance juvenil a princípio. A autora o descreve como geek e confesso, mesmo sabendo que soa ridículo, eu não sabia o significado e fui pesquisar na santa internet. Pode ser definido como cultura nerd, fãs de tecnologia, estilo Star Wars. Eita, não é o meu tipo de leitura, pensei, mas adoro experimentar. Gostei do design interior do livro, letras grandes que não assustam o leitor. Traz muitas referências externas e acontecimentos do mundo. Bandas, filmes, desenhos. A história se passa em 1986, um ano especial (meu nascimento).  

Dois adolescentes contam a história separados por capítulos cada um, mostrando a versão de cada um, em terceira pessoa. Eleanor e Park. Em 1986, dois jovens peculiares de dezesseis anos se conhecem no ônibus escolar, sentando lado a lado. Há um estranhamento e até certa antipatia inicial, por se verem diferentes como de fato são. Porém gostos similares e um certo reconhecimento no outro o aproximam de forma lenta e progressiva. A forma como se envolvem é doce e delicada, sem clichês, esteriotipos ou “melosa”. Sarcasmos, humor negro e cultura pop estão presentes o tempo inteiro. Duas pessoas comuns que sofrem preconceitos pela aparência física e a amizade entre eles se torna amor, com sutileza e intensidade ao mesmo tempo. Fala sobre o primeiro amor e sua força e dependência. Dramas familiares e abuso psicológico rodeiam a história deles. Há uma dor em Eleanor que pode ser facilmente sentida. Corajosos, enfrentam as adversidades para ficarem juntos. Diálogos fáceis e escrita incrível prendem os nossos olhos. O li em três dias.

O livro tem continuação confirmada, algo que eu só soube esses dias. O fim que parece, mas não deixa explícito, deixa livre o pensamento de cada leitor para supor aquilo que parece óbvio. Me senti com dezesseis anos novamente, embora há trinta anos atrás, as pessoas soassem muito mais ingênuas do que quando eu tinha essa idade. Bullying na escola, violência no lar, Eleanor tem em Park seu refúgio e felicidade. Para finalizar, me abstenho de comentar esse tipo de sentimento e suas conseqüência.