"A noite mais escura (Lords of the Underworld 1)", de Gena Showalter (publicado em Portugal pela Harlequin)

Sinopse:

Toda a sua vida Ashlyn Darrow foi atormentada pelas vozes do passado. Para acabar com este pesadelo, ela foi até Budapeste à procura da ajuda de homens, que os rumores dizem, possuírem habilidades sobrenaturais, sem saber que acabará nos braços de Maddox, o membro mais perigoso de todos --- um homem prisioneiro do seu próprio inferno.

Opinião:

Antes de mais, achei que a autora poderia (e deveria) ter usado muito melhor a mitologia envolvida na história. Gostei da versão  da lenda da Pandora, mas achei que tudo o resto foi muito mal aproveitado. Esperava muito mais, especialmente por se tratar de mitologia grega.
No entanto, também posso dizer que mais para o fim a história mostrou ter bem mais potencial. Talvez nos próximos volumes?
Uma coisa que gostei foi o facto de os "guerreiros" não serem de todo isentos de culpa. O que eles fizeram com a caixa de Pandora foi imperdoável e a razão porque o fizeram foi a mais estúpida de sempre, e a maior razão porque não consegui gostar destes homens maxistas. De qualquer forma gostei da mudança. Normalmente os protagonistas são uns heróis incompreendidos, mas estes são, de alguma forma, vilões, que cometeram crimes terríveis e por isso foram castigados. Foi bom ler algo diferente nesses aspecto e a "redenção" deles acabou por não parecer muito forçada.

Quanto às personagens gostei da Ashlyn, que apesar de tudo ainda conseguiu agir dentro da normalidade (fora quando estava "apaixonada" pelo Maddox), estranhou tudo de surreal que aconteceu e estava sempre a questionar tudo e todos. Gostei disso nela e como tinha uma personalidade forte, foi impossível não gostar dela, especialmente quando ia contra tudo e todos para proteger um homem "inocente". Claro que aquele final apenas lhe deu mais pontos. Sem dúvida que ela foi o ponto forte da história.
Quanto ao Maddox, embora não tenha desgostado da personagem, confesso que preferia que a autora tivesse conseguido mostrar muito mais o porquê de ele ser a personificação da "violência". Para aqlguém com esse demónio, ele era muito pouco "violento". E, pessoalmente, não gosto muito de alpha-males extremamente possessivos. Gosto de um homem que queira proteger a mulher que ama, mas isto é demais. E detesto especialmente quando insistem em estar sempre a dizer que a mulher é deles. Ninguém pertence a ninguém e irrita-me quando dizem isso cinco ou seis vezes na mesma página.
Já a Danika é uma chata, sempre a dizer "Oh my god. Oh my god!", mas ainda assim fiquei com muita curiosidade em ler o Darkest Pleasure (terceiro livro a saga), que fala dela e do Reyes que parece ser uma personagem muito fixe.
Os restantes personagens não me interessaram muito e sinceramente não percebo porque o segundo livro da saga (Darkest Kiss) é sobre o Lucien e a Anya, quando durante o livro todo pouco se falou destes dois. Fazia mais sentido, a meu ver, ter o Reyes e a Danika (Darkest Pleasure) primeiro, mas eu não sou a autora por isso, voltemos ao que interessa.

Por falar em autora, não gostei muito da escrita dela. Aliás, não é que não tenha gostado, mas simplesmente não cativou muito. E posso dizer que fiquei satisfeita em ver que o livro não estava carregado de cenas de sexo sem grande sentido. Exceptuando a última parte do livro, as outras duas cenas foram bem colocadas e só lá estavam para fazer a história avançar.

O romance esse, até foi bem exposto, com cenas bem tocantes. Felizmente não cheguei ao fim a pensar que aquilo era só atracção, mas irritou-me um pouco que eles trocassem juras de amor tão depressa. Soou um pouco falso, se bem que não em demasia, já que a autora criou muitas situações para os dois se irem conhecendo e aprofundando os seus sentimentos. pena foi que aconteceu em tão curto espaço de tempo e por isso não pareceu mais "plausível".
E já agora, não posso deixar de dizer que adorei a parte final, e sem querer dar *spoilers*, a decisão da Ashlyn foi muito bem mostrada e completamente em sintonia com a personalidade dela. Foi aliás esta personagem que fez com que não odiasse totalmente este livro.

Em suma, não é um livro que consiga inovar. Sinceramente achei que e J.R.Ward conseguiu trabalhar muito melhor o conceito de uma "irmandade" de homens amaldiçoados que encontram, um a um, o amor.
Infelizmente, foi por ter lido o Lover Eternal que achei repetitivo o conceito de um homem a lutar contra o seu demónio interior. Talvez se  não o tivesse lido, então desfrutasse um pouco mais deste livro, mas duvido e por esta mesma razão quero ler o Darkest Pleasure antes de ler o Lover Awakened (que fala igualmente de um homem que "gosta" de se auto-mutilar e de ser castigado). Como sei que o da J.R.Ward vai ser melhor, então prefiro ler primeiro o Darkest Pleasure para não sair desapontada como aconteceu com este livro. Só não sei se vou ler o Darkest Kiss porque não me cativa tanto, mas possivelmente vou dar-lhe uma hipótese.

Mas, terminando, não posso recomendar este livro a quem já tenha lido outros livros do género, pois irá desapontar. Aliás, se não fosse a personagem da Ashlyn o livro seria um fracasso. Mas se ainda não leram outros livros do género, talvez não seja muito mau, embora haja melhores.
Pessoalmente, penso que a história tem potencial, só não sei se a autora saberá fazer uso dela, mas o certo é que tem várias fãs (que não pararam de me recomendar a saga). Logo verei ...


Capa:

A capa está cativante, com cores bem bonitas, mas está demasiado "igual" a tantas outras no género.

Gostei da tatuagem, que e uma interpretação bastante fiel da descrita pela autora, embora devesse ser um pouco maior, segundo a autora.

Por outro lado acho que deveriam ter aproveitado a ideia da "aura" demoníaca, que com certeza daria muito mais alento à capa.

Ainda assim gosto porque é bonita de ser ver.