imagem/divulgação Em cada quadro, podemos ver Angela além do mito que se tornou, como no sofrimento e nas conquistas da resistência Sara Beatriz Rodrigues, colaboração para Fina O quadrinho biográfico Miss Davis retrata a vida e as lutas de Angela Davis, mulher estadunidense negra, ativista e revolucionária. A biografia, de autoria de Sybille Titeux de la Croix, com ilustrações de Ameziane, foi trazida para o Brasil pela Agir. Com páginas recheadas de detalhes sobre as lutas norte-americanas pelos direitos civis, que ocorreram entre as décadas de 1950 e 1980, a história de Davis é dividida em quatro partes: a infância, a invasão na sede do partido dos Panteras Negras, a prisão, e, por último, seu processo judicial. Em cada página, em cada quadro, podemos ver Angela além do mito que se tornou, como no sofrimento e nas conquistas da resistência. Ao dialogar com outros leitores, a novela gráfica dá visibilidade para acontecimentos históricos sobre a luta antirracista, delineando com outros contornos as atrocidades que aconteceram não somente contra Davis, mas a outros ativistas, e pessoas pretas. “Queremos o fim imediato da brutalidade policial e do assassinato do povo preto.” Essa frase, incluída no programa dos Panteras Negras se faz atemporal. O movimento “Vidas pretas importam” (black lives matter) que estourou em 2020 trouxe uma grande visibilidade para um movimento que vem sido debatido e lutado durante anos a fio, sem que de fato essa voz fosse realmente ouvida. Essa conquista, entretanto, não deve nos deixar acomodados, como disse Miss Davis “A luta continua”.