José Carlos de Vasconcelos, opinador, jornalista, editor, advogado e POETA (entre outras coisas como apreciador de caldo-verde), dirigiu ao longo de anos e anos um jornal literário que se estreou andava eu na faculdade, sem nunca falhar um número. Chamou-se JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias. Com poucos recursos (qual é a publicação dedicada às letras em Portugal que tem dinheiro?), às vezes era o próprio José Carlos quem tirava as fotografias em festivais internacionais por não haver orçamento para o fotógrafo. Rodeado, porém, de grandes profissionais (Maria Leonor Nunes, João Ribeiro, Luís Ricardo Duarte, Manuel Halpern...), deu capas e muitas páginas a todos os que escreviam no País, esquecendo-se ao longo de décadas que também ele próprio era escritor e que, apesar de não ter tempo para publicar (chegou a deixar amarelecer em casa umas provas que nunca reviu nem devolveu ao editor), sempre poetou e burilou continuamente poemas antigos. Ora, foi preciso que acontecesse a grande infelicidade de o JL ter chegado ao fim (e a falta que nos faz), e o José Carlos de Vasconcelos não poder mesmo mantê-lo de pé, para eu ter tido o privilégio de me sentar com ele e os seus poemas à roda da mesa e publicar agora o seu livro Os Sete Sentidos e Outros Lugares, que será hoje apresentado pelo professor Helder Macedo no El Corte Inglés, às 18h30. Vamos lá?
