Há quatro anos, Rommel Werneck e eu fundamos este blog. Gostaria de agradecer, imensamente, a todos que colaboraram conosco, e desejar a todos os poetas (e poetisas) inspiração da mais fina lira. Por isso, dedico esse poema de Shelley (que traduzi livremente) a todos nós, em especial à amiga Denise Severgnini - perda inestimável que esse ano trouxe. Que possamos ter muitos outros anos de Poesia Retrô!

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NÓS SOMOS COMO AS NUVENS

Nós somos como as nuvens que cobrem a lua da meia-noite;

como elas que correm, e brilham, e tremulam, sem cansar,

atravessando, radiantemente, a escuridão! Mas logo 

a noite abraça em volta, e se perdem para sempre.

Ou como as liras esquecidas, cujas cordas dissonantes

respondem de formas mil, para cada diferente sopro,

e cuja frágil armação não pode modular, ou numa outra vez

dar sentimento igual à vez passada.

Nós descansamos - um sonho tem o poder de evenenar o sono;

Nós levantamos - uma divagação escurece o dia;

Nós sentimos, concebemos ou imaginamos, sorrimos ou choramos,

abraçamos apaixonadamente o infortúnio, ou lançamos as preocupações para fora;

É o mesmo! Por isso, seja alegre ou desafortunado,

o caminho da partida ainda é livre:

o ontem de um homem nunca é o mesmo do amanhã;

nada pode persistir, senão a Mutabilidade.

P. B. Shelley