Tinha uma caixa com um livro a dizer "poemas por limosna". Nunca tinha ouvido a palavra limosna mas o significado era óbvio. Pedi-lhe um poema e ele pediu-me um tema. Livros, que outro tema poderia dar a um poeta de rua, que ali estava a partilhar e vender a sua arte? Pegou na máquina de escrever e, sem nunca largar o cigarro, escreveu sem quase parar para pensar. Já li e reli este poema várias vezes, guardá-lo-ei com carinho.
Mais tarde voltei a passar naquela calle e lá continuava ele. Pedi-lhe uma foto e autorização para a publicar no blog. Acedeu e perguntou-me de onde sou e depois recitou Pessoa.
É o meu primeiro dia na Colômbia mas já sei que este poema, este momento, vai ser a minha melhor recordação deste país. Guardem este nome: Edward Guillém

