Estamos na Ucrânia do início dos anos 2000s e as raparigas de famílias modestas desesperam por um emprego que lhes dê algum dinheiro. Muitas têm pais e irmãos a trabalhar nas minas, um emprego que resulta, muitas vezes, em catástrofe para a família inteira.
A nossa protagonista e a narradora da história opta por se tornar dadora de óvulos para famílias ocidentais em busca de um filho. É um mercado em crescimento no país por várias razões. As raparigas são bonitas, os salários que pedem baixos e a lei deixa claro que a dadora não tem qualquer direito à criança, que o seu nome não surge em nenhum certificado. As dadoras são invisíveis.
A chefe da empresa "refaz" a história da protagonista o melhor que consegue, arranja as melhores fotografias da sua família, decide que ela nunca viveu perto de Chernobyl, vê o seu corpo vestido e despido de alto a baixo e manda fazer todos os exames médicos necessários.
Em pouco tempo, a protagonista passa de dadora a coordenadora e nós, leitores, somos enviados para 2016, dez anos depois dos acontecimentos iniciais, onde a nossa protagonista se esconde em Helsínquia para sua própria segurança, trabalha nas limpezas e vai ao parque dos cães para ver a família cujo filho rapaz resultou de um dos óvulos que doou. É aí que é descoberta por Daria, uma das raparigas que contratou como dadora de óvulos, dos quais resultou a rapariga que pertence à mesma família.
Num piscar de olhos, o rapaz irá para o liceu e depois talvez para a universidade, e se o fizer receberá uma ajuda financeira decente, em vez de viver de sacos de batatas enviados pelos pais. (...) Não aprenderá a fazer cocktails molotov com lâmpadas. A sua família não será dividida por uma guerra, nem por uma revolução.
Porque é que a vida da nossa protagonista deu uma volta tão grande? Porque é que se esconde? Porque é que tem medo que alguém a atire para debaixo de uma carruagem de metro ou para a frente de um autocarro? E que impacto tem a doação de óvulos para as próprias dadoras?
É isso que temos de ler para descobrir. Já tinha esta autora debaixo de olho há algum tempo e, como este era o único livro dela na biblioteca, optei por começar por este livro. Achei a história interessante e muito bem construída. Só mudava o final, que achei demasiado apressado. Quero ler mais livros da autora.
Já leram algum livro desta autora? Que livros aconselham?
