COLÓQUIO A CURA DA LITERATURA

breve encontro intenso da psicanálise

com o texto de Maria Gabriela Llansol

Data do evento: 20/10/2011 

Horário:de 09:00 às 22:00 

Local: Faculdade de Letras - UFMG -

Auditório 1007

Para inscrição no colóquio: fiodeaguadotexto@gmail.com.



PROGRAMAÇÃO:



Para Lúcia Castello-Branco, e seus alunos)

Querida Lúcia,

__________________________, falta-me uma flor branca para compor, com rigor, um ramo lilás. Essas, são as cores de hoje. E, para saber com rigor onde me encontro, hoje, fui ao jornal ver-lhe a data. Comparei-a, intuitivamente e em silêncio, com a mesma data dos anos anteriores. Com a perturbação de escrever, senti que a vida cresce para uma forma             ou ramo, que espero ainda ver.

Flutua sobre a linha dos livros, desde os primeiro, e
desde os anteriores aos primeiros,
que não escrevi e colho, em cada um, a flor emblemática da sua recordação. A este colher chamarei autobiografia de um legente.

Alguém que colhe a flor que falta para que se acalme a minha perturbação pessoal,
alguém que colhe o tom de cada um dos títulos que escrevi,
alguém que traga o ramo que
fiz da minha vida
ao facto de ler identificada com o legente que se estende, mais esguio e inquieto.
ao lado da que escreveu. Em cada livro
escrito há – lido –, um portal, um alpendre.

Entrar, de novo, por eles adentro,
e repetir o acto de amor com que os escrevi. Aceitar o pedido
que me trazem
de entrar outra vez,
e de sentar-me, perturbada pelo corpo, onde o legente preferir,
sentar-me com ele a saborear o matiz, a linha, o tom,
dizer-lhe “é pensamento”,
e deixa-lo, de novo, cair da memória, no fio de água do texto.

A essa autobiografia que escreverei comigo, com ela lendo, chamarei ramo,
subentendendo a árvore florida
no prado da minha casa
ou no corredor da minha vida.

Pois o texto ________________________

MGab Llansol