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| Fotografia da minha autoria |
«Passear é renovar a alma»
Os raios de sol ainda mal entravam pela janela e nós já percorríamos mais uma estrada nacional, rumo a um novo destino. E, de alma serena, senti os pensamentos a divagar. Porque, tal como acontece várias vezes, houve algo a captar a minha atenção, levando-me a refletir sobre particularidades que me distinguem em momentos específicos.
Dentro do carro, enquanto cantarolava música atrás de música - porque viagens de rádio desligado não funcionam comigo -, criei uma lista mental da pessoa que sou durante os passeios que faço, pois há determinados comportamentos que se repetem de um modo sistemático.
ACORDAR MUITO CEDO
Na realidade, é um hábito que me acompanha desde sempre, uma vez que gosto de aproveitar bem os meus dias. No entanto, em período de férias e/ou num dia de passeio, isso é muito mais evidente - e independente da distância que tivermos de percorrer. E, de facto, custa menos!
ROTEIRO LIVRE
Posso ter um ou dois pontos de referência, até para usufruir do lugar em pleno. Mas, de uma forma geral, parto sempre às escuras, para ser surpreendida. E para não ir, ainda que inconscientemente, condicionada pelo olhar de terceiros. Assim, tenho uma experiência única. Inteiramente construída pelos meus passos e pela minha curiosidade. E, caso tenha falhado algo, fico com a desculpa perfeita para regressar.
COMPANHEIROS DE VIAGEM
É certo que levarei livros - que já tenha lido - para fotografar. Porque sinto que as obras foram feitas para correr o mundo. E fica maravilhoso quando temos uma paisagem natural e distinta como fundo.
USO DE MÁQUINA OBRIGATÓRIO
Uma vez que é uma das minhas maiores paixões. E, depois, demoro duas horas a transitar de um espaço para o outro, porque fotografo cada detalhe de mil perspetivas. Contemplo sempre o quadro à minha frente, absorvendo as suas cores e a sua mensagem. Para, logo de seguida, o eternizar neste retrato com vários ângulos de análise e fascinação.
FOTOGRAFIAS PESSOAIS EM FALTA
Por oposição ao ponto anterior, quase que me esqueço de tirar fotografias pessoais. Envolvo-me tanto com o que me rodeia, que nem pondero ter os meus cinco segundos de modelo. Depois arrependo-me, claro, porque sinto falta dessa recordação individual. Ultimamente, tenho feito um esforço para me incluir, mas ainda vai demorar até ser orgânico. E é muito provável que precise de ouvir mais vezes um «não queres que te tire uma fotografia aqui?» para equacionar essa opção.
ENTRO EM TODAS AS CAPELINHAS
Literal e figurativamente. Primeiro, porque adoro visitar o interior das igrejas, observando a sua arquitetura - e renovando um pouco mais a minha fé, embora esteja mais afastada da religião em si. Segundo, porque sinto que cada ponto turístico é uma peça de um puzzle especial, que me permitirá conhecer e guardar melhor a essência daquele lugar. Portanto, giro o meu tempo e faço por visitar tudo.
AS REFEIÇÕES
Não é saudável e também não o faço, mas a verdade é que até me esqueço que preciso de comer. Se estiver em simbiose com o sítio que estou a visitar, facilmente, continuava a desbravar caminho, deixando as refeições para segundo plano. Ainda assim, nunca vamos almoçar cedo e priorizamos algo mais ligeiro. Num plano oposto, ando sempre com mais sede, por isso, a minha garrafa térmica é uma fiel companheira.
Têm alguma particularidade quando vão passear?
