Por José Reinaldo do Nascimento Filho

25/03/2010

Terminei A Cartuxa de Parma hoje pela manhã.

O final do livro é triste (no bom sentido, se existe isso). Leiam. Apreciem. Apaixonem-se, como eu me apaixonei (palavrinha mais afeminada). Nada mais que isso. Minha opinião não acrescentará, nem diminuirá, em nada, a grandiosidade da obra; no entanto, se eu tivesse uma consideração final a fazer, diria que as personagens que mais me “atraíram” foram as mulheres. Fabrício é o “nosso herói” – nada daquele herói estereotipado, aqui ele é nojento quando é “preciso ser”, e altruísta quando da falta de alguém -, mas não chamou tanto minha atenção quanto Gina Pietranera (tia) e Clélia Conti. A primeira é decidida, intransigente, formosa, além, é claro, da grande habilidade proveniente da sua idade, sua sagacidade. Clélia é a Capitu, de Stendhal. Preciso dizer mais alguma coisa? Leiam Dom Casmurro.

Entre Gina e Fabrício cresce uma afinidade que com o tempo se confunde com amor carnal e incestuoso. Essa dualidade entre o fraterno e libidinoso constitui-se como um aspecto dramático, que seguirá os dois personagens até o desfecho da obra. Em determinado momento “nosso herói” é preso, vítima de inúmeras brigas entre partidos políticos. Na prisão se apaixona pela adorável Clélia Conti. Essa paixão deflagra o período mais belo da obra, em que ambos nutrem um amor impossível de se realizar, já que Fabrício, além de se encontrar preso, possui parentesco com inimigos políticos do pai da jovem. A partir desse…Leiam o livro.

18/03/2010

Finalmente dei início a essa grande obra! (na verdade faz 3 dias que comecei) Meu primeiro/grande romance histórico (senão o maior, juntamente com Guerra e Paz, de Tolstoi, que pretendo ler futuramente).

Estou com 35% do romance lido, e posso afirmar, sem sombra de dúvida, quão grande é essa obra, repleta de aventura e intrigas palacianas. Escrita após 6 anos de incansável pesquisa histórica, Stendhal, aproveitando o clima caótico das guerras Napoleônicas, cria personagens memoráveis e reais, com seus anseios  e angústias. Até então tive o prazer de conhecer o jovem Fabrício. “Nosso herói”, como gosta de afirmar o autor, é um jovem entusiasta e voluptuoso, misto de bravura com impulsividade, amante das idéias Napoleônicas, ele segue à risca seu ambicioso sonho: tornar-se cavaleiro e lutar na guerra ao lado de Napoleão. Impossível não associar Fabrício a Julien Sorel, protagonista de O Vermelho e o Negro, Fabrício é admirador de Napoleão e essa admiração constitui um dos aspectos sócio-históricos apresentados na obra.

Com protagonistas reais e ricos em detalhes, complexos e excepcionais, intrigantes e vigorosos, cujas almas estão soberbamente delineadas, fica impossível não apaixonar-se a primeira vista. Um livro rico. Um romance histórico. Uma obra necessária.