10
Jan12
Maria do Rosário Pedreira
O Teatro Nacional de São Luiz encarregou recentemente as Produções Fictícias da organização de um ciclo de «desconferências» dedicado ao tema geral O Fim da Crise. Eram três dias de conversas sobre o Dinheiro, o Amor e a Política e, tanto quanto me foi dado ver (não fui senão à sessão sobre o amor, mas disseram-me que na véspera tinha acontecido o mesmo), a sala estava cheia às 18h30 de um dia de semana, o que foi uma boa surpresa (talvez as pessoas não andem tão indiferentes como se diz). Sobre o amor, disse o moderador (Pedro Mexia) que ainda é um tabu para muitas bocas – pois, se todos o sentimos e desejamos, a verdade é que o léxico com ele relacionado é muitas vezes visto como pindérico e quase todos hesitamos em proferir esse «Amo-te» expressivo, embora a música e a literatura estejam cheias dele (passá-lo ao papel parece já não ser problema). Verdade ou não, a história que Mexia a seguir contou é deliciosa: num romance de Umberto Eco, um homem apaixonado por uma mulher (mas algo snob) diz-lhe a páginas tantas: «Amo-te, como diria a Barbara Cartland.» Eu é que amei esta.