Fotografia da minha autoria

«Lar é onde as nossas histórias são escritas»

A blogosfera é casa. É o refúgio que me desliga do mundo, permitindo-me dar voz à minha criatividade ou expiar anseios, mesmo quando não existe qualquer traço biográfico nas palavras que partilho em rede. No entanto, esse é, para mim, um dos encantos da escrita, pois nem sempre é percetível onde termina a imaginação e onde começa a realidade.

Impulsividade não é um traço da minha personalidade. Ainda assim, existem aspetos sobre os quais pondero pouco, sobretudo, se não tiverem implicações para terceiros. Por isso, aventurei-me na criação de um blogue, num dia quase banal [véspera de S. João], sem ter expectativas para aquele projeto. E sinto que essa dinâmica, num ponto prévio, foi fundamental para marcar o tom daquilo que procurava: um espaço isento de pressões, onde poderia alimentar os meus devaneios.

Doze anos volvidos, o Parte do Que Sou foi o trampolim que validou a viagem e As Gavetas da Minha Casa Encantada o lar que, inconscientemente, procurei construir. E é surreal perceber que já passou tanto tempo desde que, a 23 de junho de 2009, acreditei que tinha de dar este passo por ser apaixonada pelas palavras escritas. E pensar em tudo o que aconteceu aconchega-me, porque me descreve. Como gosto de destacar estes pequenos marcos, desenhei uma lista de 12 termos que resumem, no meu ponto de vista, esta jornada blogosférica.

ARRISCAR

Saltando sem rede para um projeto que podia ter sido curto, porque não teve ponderação, mas que se revelou um autêntico ponto de abrigo.

COMPROMISSO

Acredito que o sucesso e a duração das nossas iniciativas dependem bastante do compromisso com que as abraçamos, atendendo a que implica reconhecer esforço, ao mesmo tempo que implica uma certa dose de dedicação, independentemente de ter um objetivo mais ou menos sério. Portanto, aprendi o quanto é valioso este pacto a longo prazo.

APRENDIZAGEM

Constante. Quer em relação ao que procuro, quer em relação ao que funciona melhor comigo. E, sobretudo, em relação à minha identidade, pois creio que o blogue estabelece várias pontes com a vida offline.

METAMORFOSE

Porque mudar faz parte do processo e não tem de ser um drama, quando já não nos identificamos com as bases com que começamos. Muito pelo contrário, é sinal que crescemos e que nos vamos conhecendo melhor.

LIMITES

Do que considero relevante partilhar e do que já ultrapassa o espaço de terceiros. E isso não implica deixarmos de ser verdadeiros ou que apenas mostramos um lado da moeda, como se procurassemos transmitir que a vida é um mar de rosas. Implica, isso sim, uma gestão consciente do que queremos que os outros saibam e do que queremos manter privado. Além disso, fui eu que escolhi ter esta plataforma, não as minhas pessoas, portanto, preservo-as. E essa barreira é intransponível.

PARTILHA

De ideias, de opiniões, de experiências. É esta interação que também me motiva e que torna a convivência ainda mais especial e com sentido.

COLO

Por mais que eu afirme que continuo a escrever para mim, isto porque só me centro em temas que me fascinam, independentemente do retorno que possa vir ou não a acontecer, a verdade é que o colo e o mimo que vou recebendo transformam esta experiência em algo que não sei qualificar, mas que não esqueço. Por isso é que invisto tanto na interação: porque são as pessoas que também potenciam esta vontade de continuar e que me dão alento para arriscar, uma vez que sei que tenho sempre alguém disposto a dar-me a mão. E sou muito grata por tudo.

ORGANIZAÇÃO

Eu entendo-me bem na minha desorganização, mas estar há tanto tempo na blogosfera mostrou-me que é imprescindível saber organizar o meu foco, para não descurar este projeto que tanto me preenche as medidas.

VOZ

Aprendi que as minhas plataformas podem ser o palco de causas em que acredito. Portanto, faço por usar este espaço com consciência, sabendo que, mesmo que chegue a poucas pessoas, a mensagem pode ter impacto.

GERIR

Expectativas, principalmente. Porque nem sempre o retorno é o esperado, porque nem sempre nos apetece avançar com as nossas ideias, porque nem sempre estamos com a predisposição mais indicada. E está tudo bem. Só precisamos de aceitar estas questões, porque fazem parte.

PROPÓSITO

Por mais simples que aparente ser determinada publicação, há sempre um propósito que a sustenta. Porque nunca me entusiasmou a dinâmica de publicar só para corresponder a um número e apresentar conteúdo. E como esta é a minha verdade, não pretendo funcionar de outra maneira.

AMOR

Às palavras e ao projeto em si. Porque não há impulso mais bonito do que este. Porque é o dialeto que acolhe tudo o resto. Porque é o que me faz sentir aquele nervoso miudinho do primeiro dia e respeitar todas as memórias bonitas que vivenciei nesta caminhada. Seriamos muito pouco sem amor. E eu sinto-o, diariamente, ao entrar nesta casa.

Encontrei o meu lugar.

Aliás, ando há 12 anos a fazê-lo ♥