01

Fev19

Elsa Filipe

Nestes últimos dias, ao ver as notícias, sinto também a dor dos familiares que esperam por notícias dos seus entes queridos. Apesar do sotaque diferente, sentimos e choramos na mesma língua e, talvez por isso, as notícias que chegam do Brasil, nos pareçam mais perto, mais familiares. É a mesma Língua, com as variantes que lhe conhecemos.

Uma barragem rebentou no passado dia 25 de janeiro, no município brasileiro de Brumadinho, na região de Minas Gerais, destruindo várias comunidades e deixando mais de 80 mortos (e centenas de desaparecidos). Ainda não se sabe o que causou o rompimento da barragem, mas sabe-se que poderá estar em causa a libertação de lamas e resíduos tóxicos.

A nossa língua, o português, faz-nos compreender a dor de saber que os seus possam ainda estar soterrados por aquele lamaçal que arrastou carros e que entrou pelas casas dentro, destruindo tudo na sua passagem. Em imagens que já viralizaram, "é possível ver um grupo de funcionários da mineradora tentando correr," para fugir do local, acabando por ser "engolidos pela lama." As "sirenes, que deveriam alertar às pessoas da área sobre qualquer problema com a estrutura, não funcionou." 

E é na língua portuguesa que nos fazemos entender, embora as diferenças sejam muitas e vão muito além do sotaque. É que o português é uma língua de muitas musicalidades e de uma riqueza vocabular imensa. O que me causa alguma aflição, confesso, são os erros de concordância que não fazem parte de nenhuma das suas variantes mas que são apenas desconhecimento e mau uso da gramática. Vamo-nos habituando plurais mal construídos ("eles faz" em vez de "eles fazem") e, quase sem nos queixarmos, aceitamos que um jornalista diga "as casa" em vez de "as casas", ou que confunda "mal" com "mau", ou "mais" com "mas". Não é uma pronuncia diferente, são erros e não deveriam ser aceites no meio jornalístico. Mas não é só. Temos de ser mais críticos na exigência de que não maltratem a Língua que hoje nos devia unir e, na qual, cantamos, na qual nos conseguimos compreender, na qual escrevemos e na qual se vão dando notícias. Se é em português, que seja num português bem tratado.

Hoje assinala-se o Dia da Leitura em voz alta. Aproveitem a dica, escolham um livro e desfrutem!  Se têm filhos, procurem uma biblioteca. Por estes dias, é costume haver momentos de leitura em voz alta, Horas do Conto ou dramatização de histórias infantis. Não deixem que a nossa Língua se perca por aí...

Fontes:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/01/politica/1549036271_722115.html

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/30/politica/1548875854_984955.html#?rel=mas

https://www.kumon.com.br/blog/portugues/regras-da-lingua-portuguesa/