03

Fev26

Maria do Rosário Pedreira

A minha mãe, que tem 101 anos, volta e meia telefona-me a perguntar que rainha era casada com determinado rei português, quem sucedeu ao trono deste e daquele, e outras coisas que tais, porque está esquecida e já não sabe o que celebramos no 1.º de Dezembro. Respondo o que sei e consulto o que não sei para a esclarecer, mas verifico que há uma enormidade de pessoas que adoram saber sobre os monarcas, por muito que achem hoje a monarquia perfeitamente dispensável. Mas é talvez para os que gostam de casamentos reais (e de respeito!) que o Instituto Cervantes de Lisboa apresenta hoje ao fim da tarde uma palestra dada por Lola Pons, catedrática na Universidade de Sevilha, dedicada ao tema do casamento de D. Isabel de Portugal com Carlos V, e às línguas de ambos. Lembremo-nos de que Isabel (1503-1539) era filha de D. Manuel I de Portugal e da Infanta D. Maria de Aragão e que o marido nascera em Gent e fora criado nos Países Baixos, falando os dois uma pluralidade de línguas, fosse por origens familiares, pela geografia dos territórios que governaram ou pelas suas expectativas diplomáticas e políticas. As línguas são sempre um assunto irresistível, digo eu (e não estou a falar de beijos entre noivos). Vamos lá?