07
Fev11
Maria do Rosário Pedreira
Há uma semana, a revista «Única» do Expresso dedicava um número à ideia de «bi» (dois) com vários artigos interessantes sobre bipolaridade, gémeos, bissexualidade, etc. Um deles falava de todos os que até agora bisaram grandes prémios como o Oscar ou o Nobel – e, quanto a este último, houve vários, embora nem sempre o galardoado tenha recebido o prémio na mesma área de actividade (houve quem recebesse o da Química e, a seguir, o da Paz, por exemplo). Marie Curie, que dividiu com o marido e com Becquerel o Prémio Nobel da Física em 1903 por descobertas no campo da radioactividade, recebeu também o Nobel da Química em 1911 pelo isolamento dos elementos rádio e polónio. Ora, um dia, estava eu a ouvir a Rádio Paris Lisboa (hoje Rádio Europa, creio eu) e apanhei um programa sobre a magnífica Madame Curie que, a par de Pasteur, tinha sido um dos meus ídolos durante a infância por causa de umas biografias que me tinham oferecido e que eu lera e adorara. Mas a jornalista, quando se referiu à descoberta do rádio (elemento químico), fez certamente rir os ouvintes ao dizer que, se não fosse Marie Curie, nenhum de nós poderia estar a ouvi-la pelo rádio naquele instante. Confusão que, enfim, denota uma certa inactividade em termos de leituras...