Que cor veste a saudade?
poesia, arte, Tomie Ohtake, literatura brasileira
Obra da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake (1913-2015)/divulgação por Carolina Conti Dourado, lastro de sol Quentura no rosto Acendendo a memória Azul, de largo horizonte Ponte no espaço Um céu que se estreita Verde, da mata e dos bichos Primitivo alvoroço A carne e o instinto Cinza, crueza concreta Reta infinita De uma estrada sem destino Que cor veste a saudade quando o quarto está escuro? Que veste a saudade na cor de um recado no muro? Que escuro a saudade veste, inconteste, incolor em apuros Que tudo a saudade é quando o resto é todo mudo
Texto originalmente publicado em Revista Fina