Divagações: Reservoir Dogs
Já que essa é a semana que o blog comemora um ano (e hoje é o aniversário de Steve Buscemi), resolvi comemorar com uma resenha todo dia! Assim, fechamos a semana com um total de 100 divagações no blog! Não é o máximo?
Depois de ter publicado as listas sobre filmes para ver em grupo e filmes para ver sozinho, fiquei pensando em qual dos dois grupos Reservoir Dogs se encaixa melhor. Na primeira vez que vi o filme eu estava acompanhada, mas as duas pessoas abandonaram o sofá alegando que “esse é um filme muito violento” e que eu “não deveria perder tempo com essas bobagens”. Assisti praticamente sozinha a todo o filme – e adorei. Recentemente, tive a oportunidade de rever com alguns amigos. Percebi diversos detalhes que eu havia deixado passar (ou tinha esquecido) e apreciei os comentários que eles fizeram. Verdade seja dita, esse não é um filme para “todo mundo”. Ele é ótimo como uma experiência solitária e se torna, digamos assim, ainda mais divertido com outras pessoas ao seu redor. Mas a companhia deve ser selecionada.
O filme é violento em escala crescente (imagine como meus primeiros acompanhantes ficariam escandalizados se tivessem visto tudo), como só Quentin Tarantino sabe fazer. Não são simplesmente cenas violentas acontecendo, intercaladas com momentos mais leves e novas cenas violentas. É simplesmente violência pura e ascendente.
Esse é um típico de filme em que o importante não é a estrutura início-meio-fim, mas a situação. É um filme dominado por um roteiro extremamente ágil e inteligente e, claro, por seu elenco. Ele prende o expectador em um mistério que – todos sabem – está prestes a se resolver e consegue terminar de uma maneira mais interessante do que simplesmente dando a solução da questão. Essa característica era frequente em filmes de Hitchcock, por exemplo, e foi ela quem fez dele o pai do suspense. Não importa assistir à maravilhosa cena de ação do roubo e como tudo deu errado, é bem mais interessante estudar as pessoas e perceber porque o plano falhou.
Agora, reflita sobre o fato de Reservoir Dogs ter completado 18 anos recentemente e continuar um ótimo filme. Lembrando sempre que esse foi o primeiro longa-metragem de Tarantino. Não é à toa que o cara é idolatrado. Depois que vi esse filme, nunca mais perdi um filme dele no cinema. É uma experiência de imersão na natureza humana, acompanhada de um visual cheio de estilo e ótimas trilhas sonoras. Desde o primeiro volume.
