07
Nov13
Maria do Rosário Pedreira
Não sou jogadora de xadrez – na verdade, não sou jogadora de nada e sempre irritei os meus adversários por não prestar atenção suficiente às cartas nem ter como objectivo ganhar a todo o custo. Isso, porém, não me impede de ler e adorar um livrinho de Stefan Zweig, ao que parece o último que escreveu antes de se suicidar, que se chama justamente Novela de Xadrez – e, sim, tem que ver com o jogo de tabuleiro mais célebre do mundo mas não requer que conheçamos as regras em profundidade. Num navio de recreio com destino à Argentina, segue nada mais nada menos do que o campeão do mundo desta modalidade que, ao contrário do que seria de esperar, é uma criatura bruta, malcriada e até bastante bronca em tudo (excepto no xadrez). A sua presença arrogante a bordo acaba por levar a que um grupo de passageiros educados se defronte com ele (narrador incluído) numa partida de xadrez, mas apenas para experimentar uma rápida derrota; porém, num jogo de desforra, uma estranha figura aproxima-se e dá palpites certeiros que conduzem a um empate. Ora, quem é este homem que consegue empatar com o campeão do mundo e, segundo diz, já não via um tabuleiro de xadrez há vinte e cinco anos? A revelação que ouviremos da sua própria boca é, de facto, a melhor coisa desta novela – e prende-se com o nazismo e a tentativa de não enlouquecer. Mais não se pode contar.