Ser criança... neste mês que tantos festejam como sendo o mês da alegria e das crianças, há meninos sudaneses a morrer abandonados e sozinhos num orfanato. Crianças sem direitos, sem quem delas cuide, que morrem sem ninguém se importar.

É a eles que dedico hoje este poema que escrevi. Não valerá grande coisa, mas é entre lágrimas que o escrevo.

O teu olhar

No canto de um berço imundo

Numa casa já sem teto

Encontro o escuro profundo

De um olhar sem afeto.

No canto deste orfanato

Abandonado pelo mundo

Vive da morte o retrato

No teu olhar moribundo.

Moscas, ratos, serpentes,

Passeiam pelos teus pés.

Abandonado,

És os restos da sociedade

Que já não quer saber quem morre

Que se cala e não assume

Ainda tem de vir a lume

O sangue que em África escorre!

Elsa Filipe, junho de 2023