Juntando as palavras – O que é bom é para quase todos

O que é bom é para quase todos

Não sou uma pessoa muito ligada em música, gosto de alguns sons que fazem bem ao meu ouvido e adoro dançar em festas, mas estou longe de ser entendida no assunto. Custo a ficar sabendo quem é a última revelação ou qual música está entre as mais tocadas, quando descubro já não é mais novidade. Mas se há um trabalho musical que admiro, seja de uma música antiga ou atual é de Marisa Monte.

Assisti ao show Memórias, crônicas e declarações de amor a anos atrás, a mulher é fantástica, tem muita presença de palco e expressão corporal, é uma artista completa. A voz é de uma afinação perfeita do início ao fim do show, a qualidade dos músicos que a acompanham também é excelente.

Fiquei na expectativa quando descobri que a turnê deste ano vinha para Porto Alegre, mas ao descobrir que o preço do ingresso mais barato era R$ 240,00 desisti na hora. O fato não é que R$ 240,00 me fariam falta, mas o que me pergunto é porque nosso acesso a cultura tem que ser tão caro? Será que não temos o direito de usufruir o que é bom? Se um casal adquiri dois ingressos (dos mais baratos), paga o estacionamento, depois dá uma esticadinha num barzinho ou restaurante onde vai parar essa conta…

Na última semana Marisa concedeu uma entrevista à Globo News falando da turnê e disse com todas as letras que acredita que o que é bom é para todos, explicando que não faz seu trabalho escolhendo a quem agradar, mas então Marisa porque cobrar tão caro pelo ingresso do show?

E como vou continuar curtindo o som dela vou comprar o CD de R$ 29,90 e colaborar com o trabalho da artista que tanto admiro. Por enquanto o som pode ser para todos, mas o show não é para mim.

Letícia Portella

18 de julho de 2012