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| Fotografia da minha autoria |
«Uma história sobre a importância da Poesia»
A Humanidade aparenta estar, cada vez mais, perdida num mar de números. E por ser esse reflexo [quase] sem identidade, existem muitos aspetos que se negligenciam, como é o caso da cultura. Numa altura em que o Orçamento de Estado contempla 0,25% para este setor - o segundo mais baixo, sem contar com as despesas totais destinadas à RTP -, parece-me pertinente regressar a uma obra muito particular de Afonso Cruz.
«Dizem que é bom transacionarmos afetos»
Vamos Comprar Um Poeta representa uma sociedade imaginária, distópica, de pessoas sem nome, na qual os bens materiais assumem um protagonismo gritante e a criatividade, assim como a poesia são desvalorizadas, transmitindo a sensação de serem inúteis para o nosso crescimento e para a nossa caminhada - quer numa perspetiva formativa, quer numa perspetiva de lazer. Através de uma jovem personagem que vai quebrando estas verdades absolutas - e obsoletas - e o preconceito direcionado à arte, somos confrontados por uma caricatura sagaz, até porque esta ficção tem traços palpáveis da realidade que nos envolve.
«As nossas sombras respiravam juntas e com elas tudo ficava resguardado»
É inegável a crítica, a ironia, a ditadura dos números e a imensidão da mensagem, mesmo que seja um livro pequeno e que se lê num sopro. Por outro lado, há uma simplicidade aconchegante, de quem se vai descobrindo e aprendendo a olhar o mundo com outro encanto, e um traço cómico, permitindo-nos desconstruir um cenário duro, que abala a nossa esperança. Celebrando, então, «a beleza das ideias e das ações desinteressantes», é um enredo que transborda poesia - na escrita e nas entrelinhas - e que nos transforma.
«Há poemas que servem para ver o mar»
Vamos Comprar Um Poeta alicerça-se na utopia para nos mostrar que a nossa perceção literal das situações impede-nos de pensarmos fora da caixa - e de aceitarmos a diferença. Colocando uma bandeira nas emoções, na arte e nos artistas - e no quanto nos agregam -, este livro é um porto seguro, abrindo-nos portas infinitas.
«Escrevi uma paisagem para um jardim e escrevi uma margarida
no cabo do meu lápis, pois estava com necessidade de que florisse»
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