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Não gostei de ler este livro. Achei a história batida e enfadonha. O típico: menino frágil, pai forte que não o entende, mãe doente, conhece a miúda mais fixe e apaixona-se. Creio que o objetivo do autor era bom: escrever sobre crescer e as dores de nos tornarmos adultos, mas conseguiu apenas uma história que anda às voltas e que não é em nada melhor do que um filme de sábado à tarde, daqueles que vão logo para televisão. Os diálogos são forçados, com temas da atualidade enfiados à força. Este é um dos pontos que menos gostei, a história passa-se numa terriola dos EUA nos anos 80 e o comportamento, ideias e atitudes dos personagens principais está em linha com a forma como se debatem os assuntos hoje. Não quer dizer que o que se dizia e fazia em 80 era certo, mas quando retratamos um tempo não o devemos polir para parecer outra coisa. Lá está, esta ideia moderna de ajustar comportamentos antigos, de criar arautos do bem em tudo.
Todos os personagens principais são excelentes pessoas, o que me dá sono, porque não há pessoas puramente boas e querer passar erros inocentes com dramatismo não funciona. Gosto de personagens com falhas a sério, com defeitos a sério.
A história está carregada de episódios sem sentido. Por exemplo, o personagem principal vai trabalhar para um velho cinema que vai fechar porque não tem clientes. Ora porque raio estava a contratar quando não tem clientes e já tinha 3 pessoas lá a trabalhar? Porque era preciso que o personagem encontrasse aqueles 3 amigos com os quais passará momentos verdadeiramente enfadonhos (para quem lê).
Até a morte da mãe, que deveria ser uma passagem mais marcada, parece plástica.
Noto, contudo, que não está mal escrito. Mas um bom livro não se compõe apenas por saber alinhar as palavras.
