«Serões em Enxobregas.»
«Houve alguma vez serões no paço de Enxobregas ou de Santos-o-Novo? Jorge Ferreira de Vasconcelos, no Memorial da Segunda Távola Redonda, decanta a beleza e a elegância da Infanta, por ocasião de um torneio que houve, mas nos Paços da Ribeira.»
«O retrato de António Moro. Etérea, inupta e coriácea.»
«E nós estamos a vê-la animar-se, no retrato de António Moro, com aquele vestido de veludo preto, afogadíssimo, rendas nas mangas golpeadas por baixo, uma gargantilha de gemas, em cujo firmal, uma pérola, ao que se afigura, pegam dedos longos e finos como lótus. Esses dedos espirituais, e o rosto ascético, de arestas amaciadas, com uma boca fina e olhos que deviam ser de azul celeste, o todo descerrando uma expressão de doçura, mas pronunciadamente freirática, contam a história mais melancólica e desolada que jamais teve princípio e fim em paços de reis. Alguma vez a Luís de Camões se ofereceu o ensejo de sentir a sombra sequer desta segunda Zenóbia -- incessu deae --, de pisar de deusa, dizia o velho Resende?!»