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'O Jardim do Éden', publicado pelo Círculo de Leitores em 1986, foi um daqueles livros que, de forma completamente inesperada, encontrei no meio dos inúmeros romances da estante de livros da minha mãe que estão cheios de Lesley Pearse e Deborah Smith (nada contra, mas também nunca lhes peguei).

Desde 'Verdade ao Amanhecer' que nutro um carinho imenso por Hemingway e o mais curioso é que os dois livros (sendo este o segundo) que li foram publicados após a morte do autor. O que me deixa muito curiosa para o tanto que ainda tenho a descobrir sobre este mundialmente famoso e estudado autor.

Após algumas pesquisas sobre este livro, encontrei uma "teoria da conspiração" se teria sido escrito realmente por Hemingway ou pelo seu filho. Contudo, a escrita é leve e profunda, com detalhes e fugaz, emotiva e depressiva, mesmo ao jeito de como é descrito Hemingway. 

O livro inicia a trama em França, mas claro, ao belo jeito de Hemingway, passeia-se por Espanha e por África (de forma imaginária) no seu decorrer. Um jovem casal, recentemente casado, desfruta da lua-de-mel numa pitoresca cidade francesa, onde a descrição nos remete imediatamente para o bom tempo, o sol, o calor e o verão.

Evidentemente apaixonados, David Bourne, um escritor que acaba de publicar um livro que se torna um sucesso e Catherine (curiosamente um nome que é usado em outro livro famoso do Hemingway), a sua recente-esposa abastada, estão a aproveitar todo o seu tempo da forma mais descontraída possível.

As personagens passam o dia entre vários momentos de descontração na praia, entre mergulhos e passeios de bicicleta, 'regados', desde o pequeno-almoço até ao jantar, por álcool e comida típica, momentos tórridos e um aproveitar da vida típica de um casal atraente, provocador e sem querer (ou pensar) saber o que o mundo vê.

David quer dedicar-se a um novo livro, Catherine encoraja-o, mas também começa a dar evidências de solidão.

É um romance forte, audaz, que balança entre a crença de um amor de almas gémeas para a disputa de uma vida sem limites, rodeada de angústia e perdição. David trata carinhosamente Catherine por "demónio", esta que, pela solidão e aborrecimento com o dia-a-dia, atrai para a trama uma outra mulher, Marita, que se torna a "sucessora" de... ambos na vida do casal.

Catherine parece uma jovem apenas infantil e desorientada da vida até chegar ao ponto de evidenciar claramente um distúrbio mental.

"Ninguém sabe nada de si próprio quando está realmente envolvido. O 'si próprio' não é digno de consideração". Esta é uma frase usada por David quando já nenhum deles sabe que rumo tomará a vida desta tríade. 

Quem começa a ler este livro não imagina onde a história vai acabar, nem o conflito interno que deveria haver na cabeça de Hemingway para iniciar este livro em 1946 e o ir compondo ao longo de 15 anos.

✅ a reviravolta deste romance e a forma como as personagens se misturam e transformam no livro que é perigosamente atraente

❌ este livro daria facilmente 3 histórias diferentes, o que faz com que fique a saber a pouco porque não se sabe o que acontece efetivamente em cada uma das narrações

⭐ 4,5

by Sofia!