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Mar24

Maria do Rosário Pedreira

Ando, como sabem, sempre à volta de palavras e de relações entre elas, tantas vezes do que parecem ser e não são. E um dia destes aprendi algo que não sabia. Apanhei já não sei em que texto que estava a ler uma referência aos «agapantos», uma palavra que não parece, vão desculpar-me, nome de flor, muito menos de uma flor leve, empoleirada num caule fininho, que parece desintegrar-se a qualquer momento se uma rabanada de vento sobre ela soprar. Fui à procura da origem deste nome e descobri que «agapanto» significa «a flor do amor» porque «agape» em latim é amor e «anthos» flor. Confusa sobre a explicação do «ágape» que, para mim, era um banquete bem fornecido, encontrei a justificação: é que «ágape» não é simplesmente uma comezaina, como eu pensava, mas uma refeição de confraternização, ou seja, um banquete entre amigos, gente fraterna, que os primeiros cristãos faziam juntos: um banquete, em suma, onde há amor. Gostei de saber, claro.