Quiçá por medo d'outro amor ou sonho
eu me abandone nesta vã poesia,
carente de paixão e d'estesia,
sombria como os versos que componho...

Sonhar com novo amor eu bem quisera!
Mas eu m'entrego à lira - meu esteio -
fugindo sempre dessa dor, receio
que tudo se transmute em vã quimera...

Quimera! Sombras, nada mais! Fantasmas!
Que deixam dentro d'alma seus miasmas
em forma de tristura e de saudades...

Só quem amou demais conhece as dores
dessa agonia, medos e temores,
que assim nos deixa frágeis, mui covardes...