Fotografia da minha autoria

«After all this time? Always»

[pode conter spoilers]

A minha carta para Hogwarts tardou - e eu assumo total responsabilidade -, mas chegou aos 27 anos, transportando-me para um universo surpreendente e singular. Portanto, completamente conquistada, nunca mais larguei a mão da saga Harry Potter. E a verdade é que cada volume me proporcionou descobertas importantes, permitindo-me reforçar algumas crenças e abraçar novas aprendizagens. Porque a pluralidade da sua mensagem não perde pertinência, independentemente do momento em que priorizemos esta leitura especial.

Avancei sem expectativas elevadas e senti que este posicionamento tornou o processo mais agradável. Procurando dissociar o facto de estar a conhecer a história em idade adulta, senti-me a recuar à infância e a tentar recuperar a inocência que a caracteriza. Embora receasse encontrar uma camada de infantilidade na escrita, que me distanciasse do enredo, foi a simplicidade que me aproximou de certos sentimentos e particularidades. Além disso, dei por mim a imaginar a minha reação, perante determinados acontecimentos, se partilhasse a faixa etária dos protagonistas. Por isso, fui crescendo - ainda que em proporções distintas - com eles, sentindo-me parte deste universo.

O imaginário visual é mesmo um dos pontos fortes de toda a saga, oferecendo-nos uma experiência imagética que complementa as palavras, porque é muito fácil vermos a ação a desenrolar-se. Em simultâneo, é uma obra com uma riqueza temática poderosa, que ultrapassa o misticismo, focando-se na política, na psicologia, na história, na física, na ética, no desporto, na comunicação e na saúde mental. Portanto, à semelhança do que fiz com a Millennium, quero concentrar-me nas sensações e nos pensamentos que cada livro despertou em mim.

HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL

É um manifesto sobre condicionantes do quotidiano, tendo em conta que explora temas como os abusos e os maus tratos de crianças, os preconceitos, a discriminação, a divisão de classes, a inveja, o egoísmo, a procura pela perfeição, a competição - nem sempre saudável. Só que a camada que os eleva traz um brilho diferente, sem os romantizar. Rica em pormenores, humor, criaturas fantásticas e personalidades vincadas, esta obra também nos sensibiliza para o sentido de comunidade e para a possível falácia das primeiras impressões, pois «há certas coisas que [só] depois de partilhadas nos obrigam a gostar uns dos outros». Há feridas que saram. Mas algumas cicatrizes nunca chegam a desaparecer [aqui] - [Wook | Bertrand].

HARRY POTTER E A CÂMARA DOS SEGREDOS

No segundo ano em Hogwarts, a narrativa afigura-se mais adulta e menos previsível, permitindo-nos conhecer um pouco mais a fundo o passado de Harry. Além disso, reforça a certeza de que há pessoas dispostas a quebrar todas as regras para lutar por valores ainda mais importantes. É certo que nos podemos enganar sobre as intenções de quem se aproxima de nós, mas ter uma rede de apoio tão sólida é fundamental para não cairmos e não nos perdermos. As tentações são muitas, mas a amizade é a nossa salvação. Foi o primeiro filme que vi desta saga, por isso, a leitura tornou-se mais visual que o costume. E é mesmo impressionante como a autora criou um enredo tão poderoso emocionalmente, fazendo-nos sentir o impacto das adversidades e da malvadez [Wook | Bertrand].

HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN

A sequência deste volume prendeu-me de tal maneira, que senti, de imediato, que seria um dos meus favoritos. E não me enganei. Porque é evidente a metáfora para a depressão, colocando uma bandeira na saúde mental e no quanto é imprescindível protegê-la. Recheado de detalhes palpáveis que fazem toda a diferença em momentos chave da história - como o Marauder's Map ou o Patronus -, também nos permite conhecer duas das personagens mais marcantes [pelo menos, para mim]. Com um traço bastante introspetivo, de sobrevivência e vulnerabilidade, mostra-nos a exigência de lidarmos com os nossos fantasmas e a falácia das primeiras impressões, porque nem tudo é como contam. E precisamos de correr certos riscos para descobrir a verdade [Wook | Bertrand].

HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO

O traço sombrio e o facto de a narrativa nos levar a conhecer outros lugares para além de Hogwarts e Hogsmead cativaram-me. Para além destes, fascinou-me o convívio com outras escolas. A dinâmica do torneio, as provas a superar e a noção do perigo deixam-nos em constante sufoco e ansiedade, sentindo cada passagem como se a vivêssemos na pele. Além do mais, há uma reviravolta que todos temem. E, quando achamos que descobrimos o passo seguinte, constatamos que não poderíamos estar mais longe da verdade. Porque na maior escola de magia e feitiçaria do mundo nada acontece por acaso [Wook | Bertrand].

HARRY POTTER E A ORDEM DA FÉNIX

O quinto ano está recheado de mudanças e de novas perspetivas, sobretudo, de personagens que nos deixam no limbo, a questionar aquilo que escondem. Sendo uma narrativa mais madura, intensa e visceral, com muitos dilemas internos e um permanente sentimento de culpa, há dúvidas que são, finalmente, respondidas. No entanto, este livro desencadeou-me algumas lágrimas, por uma situação muito específica. Por ser, emocionalmente, desafiante, também nos permite mergulhar com outra propriedade no enredo. Para serenar o coração, há duas personagens a equilibrar a profundeza das trevas, porque ainda existem ligações bonitas a amparar-nos e a mostrar-nos o verdadeiro poder das alianças que fazemos sem ser com segundas intenções [Wook | Bertrand].

HARRY POTTER E O PRÍNCIPE MISTERIOSO

Este volume foi o impulso que eu precisava para desvendar a complexidade do professor Snape, compreendendo que a pessoa que somos depende sempre de uma série de acontecimentos da nossa vida. Por isso, consegui captar melhor os seus propósitos - finalmente. Com o poder maléfico a assumir um protagonismo maior, vamos recuar ao passado para decifrar o enigma. Embora tenha um final doloroso, reforça bem os valores que unem os protagonistas. E prova algo fundamental: o poder do amor, que é mesmo uma arma que nos pode salvar [Wook | Bertrand].

HARRY POTTER E OS TALISMÃS DA MORTE

Confesso que não estava preparada para me despedir desta saga tão especial. Mas foi uma viagem alucinante. Com as forças a serem testadas ao limite, este volume tem ainda mais camadas emocionais e uma missão de máxima importância. Além disso, reflete bem o caos que pode habitar dentro de nós, fazendo-nos duvidar das nossas escolhas e do impacto que terão para aqueles que amamos e que nunca nos abandonam. Com o coração nas mãos, o crescimento de certas personagens foi surpreendente e deixou-me ciente que guardamos mundos que só precisam do estímulo certo para sobressair. Numa atmosfera frenética, é a luz a não sucumbir e o bem a vencer todo o mal [Wook | Bertrand].

HARRY POTTER E A CRIANÇA AMALDIÇOADA

É importante termos presente que este livro é um guião, porque a energia é completamente diferente. Ainda assim, como seria expectável, gostaria de ter encontrado a mesma dinâmica que os volumes anteriores, atendendo a que a autora teve a sensibilidade de explorar os detalhes e as emoções com outra propriedade. Neste livro senti falta de algumas personagens e de uma transição menos abrupta entre cenas. Por outro lado, agradou-me a cadência entre protagonistas de diferentes gerações, o facto de Harry e Draco tentarem reescrever o passado deles através dos filhos, percebendo que essa vulnerabilidade era uma consequência das feridas por sarar, e o poder da amizade que continua como tema central. No meio da fantasia, há uma voz bastante real, despertando a minha vontade de ver a peça [Wook | Bertrand].

MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS & MONSTROS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD

O mundo de Harry Potter é verdadeiramente fascinante, por isso, desafiei-me a mergulhar em tudo o que o permita descobrir melhor. Assim, enquanto no exemplar Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los compreendemos que a linha entre o mundo real e o mundo mágico é tão ténue, disponibilizando-nos um guia de criaturas únicas, o exemplar Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald transporta-nos para um acontecimento perigoso e nefasto, que nos permite conhecer personagens intemporais, sendo colocadas à prova, enquanto definem o seu caminho. Atendendo a que também são guiões do argumento original do filme, é natural que as descrições não sejam tão detalhadas. Apesar disso, sinto que o segundo é mais coeso e estimulante [Wook | Bertrand].

COLEÇÃO EDITORIAL PRESENÇA

Esta coleção é composta por três livros que se leem num sopro: O Quidditch Através do Tempo [que nos permite conhecer tudo sobre este desporto], Os Contos de Beedle, o Bardo [constituído por cinco narrativas a transbordar de lições imprescindíveis] e Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los [traduzindo um compêndio de criaturas mágicas e tudo o que as envolva]. Uma particularidade interessante é que estas obras têm um cariz solidário, pois as receitas provenientes das suas vendas revertem a favor de duas instituições de beneficência -

Comic Relief

e

Lumos Foundation

-, que, numa ação prolongada, «apoiam crianças e jovens, ajudando-os a alcançar uma vida melhor».

EDIÇÕES ILUSTRADAS

A história não se altera, mas tem sido um privilégio redescobri-la através das edições ilustradas, porque permitem absorver cada traço deste mundo mágico, atribuindo uma forma ao que fomos idealizando, ao mesmo tempo que alimenta a nossa imaginação recorrendo a todas as cores, feições e movimentos. São obras para encantar miúdos e graúdos.

«Todos temos luz e trevas dentro de nós. O que 

nos define é o lado com o qual escolhemos agir»

Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada ♥