
Kya é uma jovem que vive num pantanal na Carolina do Norte, perto de Barkley Cove, isolada da civilização. Em criança, Kya foi sendo abandonada pelos seus familiares, um a um, até se ver completamente sozinha e sem mais ninguém em quem contar para sobreviver. Conhecida como a Miúda do Pantanal, Kya é desprezada pelos habitantes de Barkley Cove e vista como uma estranha selvagem; e, por isso, mais tarde acaba presa por suspeita de ter matado Chase Andrews, o menino querido de Barkley Cove, encontrado morto no pantanal.
«Eu nunca odiei ninguém. Eles é que me odiavam a mim. Eles é que se riam de mim, eles é que me abandonaram. Eles é que me importunaram e me atacaram.»
Adorei este livro, de coração. Aliás, tenho de começar por dizer, desde já, que Delia Owens conseguiu uma proeza incrível: fez-me adorar um livro marcado por escrita descritiva. Pensava não ser fã deste tipo de escrita, mas estava enganada; ainda há por aí palavras que me conquistem.
Poderá ter ajudado - quem quero enganar, claro que ajudou - o facto de ela ser cientista da vida selvagem, já que as descrições que faz do pantanal, da sua natureza e dos animais que a habitam são únicas. O pantanal acaba por ser, por si só, uma personagem do livro, e é fascinante. Tive muita vontade de visitar um sítio assim, e ainda tenho, apesar de me ter lembrado que, com a minha fobia a rãs e sapos, não sairia de lá mentalmente sã.
Pela primeira vez na vida, não me senti capaz de ler um livro em inglês. Comecei a ler esta versão, mas tinha tantas palavras que eu simplesmente não conhecia que achei melhor ler a tradução portuguesa, porque não estava a conseguir captar a magia da ambiência que Delia Owens queria passar. Vendo pelo lado positivo, foi aqui que me lembrei que a biblioteca existe e que eu devia voltar a ser visitante regular (e assim aconteceu).
Esta é, no fundo, a história de alguém abandonada por todos, que se conseguiu superar sozinha desde miúda, conseguindo até feitos profissionais incríveis, apesar de não ter sequer frequentado a escola. A vida no pantanal ensinou-lhe mais do que qualquer um poderia saber. É também uma personagem muito solitária e, em momentos, inocente, o que faz todo o sentido.
«Recordou a forma como o pai definia um homem: alguém que chora quando tem vontade, sente a poesia e a ópera com o coração e faz o que for necessário para defender uma mulher.»
Achei um livro muito completo: tem romance, crime e mistério, drama. Acho que é uma história devastadora quando pensamos mais a fundo na vida que Kya teve, mas tem tanto de bonita quanto de triste e este livro ganhou um lugar muito quentinho no meu coração. Gostei mesmo muito e, se ainda não leram, recomendo bastante.


O filme tem algumas escolhas distintas do livro, algumas que sinto que alteram até um pouco a essência e carácter de Kya - aqui, ela é menos tímida, por vezes mais efusiva. Prefiro a Kya do livro, faz-me mais sentido.
Ainda assim, foi ótimo poder dar uma "cara" ao pantanal e acho que a força do filme está precisamente na Natureza que mostra. De resto, faz um bom trabalho a adaptar a história, mas nada que o destaque fortemente como obra cinematográfica. Gostei e recomendo. Ah, e adoro a música que a Taylor Swift compôs para o filme - aliás, isto foi o que me levou ao livro, portanto só tenho de lhe agradecer. E agora que conheci a história, acho que a música está ainda melhor.

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