A morte de Wislawa Szymborska nada tem de triste ou terrível, decerto. Uma senhora que “morreu tranquilamente, enquanto dormia“, na sua casa (em Cracóvia) aos 88 anos (completaria 89 em dois de julho), apesar do câncer do pulmão, viveu uma longa vida. E nesse caso específico uma longa vida no sentido da sabedoria poética, da consolidação em fórmulas líricas das percepções mais sagazes, lúcidas e pertinentes.
Mesmo assim, sempre há um rastro melancólico, Para mim, porque faz pouco tempo que “descobri” a poesia de madame Szymborska (foi exatamente em outubro do ano passado).
Minha queridíssima amiga (também grande escritora) Maria Valéria Rezende escreveu-me, afirmando que eu “inoculei o veneno” da admiração por Zymborska nela. E me deu um grande presente: uma antologia de versões em várias línguas, que ela mesmo preparou.
Para começar, vou transcrever algumas versões dos poemas que eu já tinha apontado como notáveis na minha resenha sobre o livro Poemas, a seleção feita por Regina Przybycien, e na minha pequena antologia de um poema para cada dia da semana da grande poeta polonesa. Há versões em francês, italiano, espanhol e inglês, e versões diferentes em português, embora infelizmente nem sempre indicação do responsável pela versão, o que contraria meu costume aqui no blog, mas o que se há de fazer?, nem sempre é possível ser rigoroso.
UN CHAT DANS UN APPARTEMENT VIDE
Mourir. Il ne faut pas faire cela à un chat.
que peut-il faire
Dans un appartement vide ?
Grimper aux murs
se frotter contre les meubles?
Apparement rien n’a changé
et pourtant rien n’est pareil.
rien n’a été déplacé
et pourtant rien n’est en place.
et le soir pas de lampe allumée.
un bruit de pas dans l’escalier
mais ce n’est pas le bon.
une main
Met le poisson dans l’assiette
mais ce n’est pas la bonne.
Quelque chose ne commence pas
à l’heure habituelle,
quelque chose ne se passe pas
comme cela devrait.
quelqu’un était là depuis toujours
et soudain n’est plus
s’obstinant à rester disparu.
On a fureté dans les armoires
fouillé les étagères
on s’est faufilé sous le tapis
Pour vérifier.
on a même bravé l’interdit
En allant au bureau
et en mettant les papiers en désordre
que faire maintenant ?
Dormir et attendre.
attendre qu’il revienne s’il ose!
Et lui faire savoir
Qu’on ne fait pas ça à un chat.
On avancera vers lui
l’air détaché un peu hautain
en faisant semblant de ne pas le voir.
on marchera très lentement
la patte boudeuse
et surtout pas un bond
Pas un ronron,
du moins au début
UN GATO EN UN PISO VACÍO
MORIR, ESO A UN GATO NO SE LE HACE.
PORQUE, ¿QUE PUEDE HACER UN GATO
EN UN PISO VACÍO?
SUBIRSE POR LAS PAREDES.
RESTREGARSE CONTRA LOS MUEBLES.
NADA AQUÍ HA CAMBIADO,
PERO NADA ES COMO ANTES.
NADA HA CAMBIADO DE SITIO,
PERO NADA ESTÁ EN SU SITIO.
Y LA LUZ SIGUE APAGADA AL ANOCHECER.
SE OYEN PASOS EN LA ESCALERA,
PERO NO LOS ESPERADOS.
UNA MANO DEJA PESCADO EN EL PLATO
Y NO ES, TAMPOCO, LA DE ANTES.
ALGO NO EMPIEZA
A LA HORA DE SIEMPRE.
ALGO NO SUCEDE
SEGÚN LO ESTABLECIDO.
ALGUIEN ESTABA AQUÍ, ESTABA SIEMPRE,
Y DE REPENTE DESAPARECIÓ
Y SE EMPEÑA EN NO ESTAR.
SE HA BUSCADO YA EN LOS ARMARIOS,
SE HAN RECORRIDO LOS ESTANTES.
SE HA COMPROBADO BAJO LA ALFOMBRA.
INCLUSO SE HA ROTO LA VEDA
DE ESPARCIR PAPELES.
¿QUÉ MÁS SE PUEDE HACER?
DORMIR Y ESPERAR.
¡AY, CUANDO ÉL REGRESE,
AY, CUANDO APAREZCA!
SE ENTERARÁ DE QUE ESTAS NO SON MANERAS
DE TRATAR A UN GATO.
COMO QUIEN NO QUIERE LA COSA,
HABRÁ QUE ACERCÁRSELE,
DESPACITO,
SOBRE UNAS PATITAS, MUY, MUY OFENDIDAS.
Y, DE ENTRADA, NADA DE BRINCOS NI MAULLIDOS
IL GATTO IN UN APPARTAMENTO VUOTO
Morire . Questo a un gatto non si fa.
Perché cosa può fare il gatto
In un appartamento vuoto?
Arrampicarsi sulle pareti
strofinarsi contro i mobili?
Qui niente sembra cambiato
eppure tutto è mutato
niente sembra spostato
eppure tutto è fuori posto
la sera la lampada non è più accesa
si sentono passi sulle scale
ma non sono quelli
anche la mano
Che mette il pesce nel piattino
non è quella di prima.
Qualcosa non comincia
alla sua solita ora
qualcosa non accade
come dovrebbe
qui c’era sempre qualcuno. Sempre.
E poi d’un tratto è scomparso
e si ostina a non esserci
in ogni armadio si è guardato
si è cercato sulle mensole
e infilati sotto il tappeto
Ma non ha portato a niente
si è persino infranto il divieto
Di entrare nell’ufficio
E si sono sparse carte dappertutto.
Cos’altro si può fare
aspettare e dormire
che provi solo a tornare
che si faccia vedere se osa !
Deve imparare che
Questo non si fa a un gatto.
Gli si andrà incontro
Con aria distaccata
Un po’ altezzosi
Come se non lo si vedesse
camminando lentamente
sulle zampe molto offese
e soprattutto
Non un salto nè un miagolio.
Almeno non subito.
CAT IN AN EMPTY APARTMENT
TRAD. 01
Die – you can’t do that to a cat.
Since what can a cat do
in an empty apartment?
Climb the walls?
Rub up against the furniture ?
Nothing seems different here,
but nothing is the same.
Nothing has been moved,
but there’s more space.
And at nighttime no lamps are lit.
Footsteps on the staircase,
but they’re new ones.
The hand that puts fish on the saucer
has changed, too.
Something doesn’t start
at its usual time.
Something doesn’t happen
as it should.
Someone was always, always here,
then suddenly disappeared
and stubbornly stays disappeared.
Every closet has been examined.
Every shelf has been explored.
Excavations under the carpet turned up nothing.
A commandment was even broken,
papers scattered everywhere.
What remains to be done.
Just sleep and wait.
Just wait till he turns up,
just let him show his face.
Will he ever get a lesson
on what not to do to a cat.
Sidle toward him
as if unwilling
and ever so slow
on visibly offended paws,
and no leaps or squeals at least to start.
Cat in an empty apartment
TRAD 02
Dying–you wouldn’t do that to a cat.
For what is a cat to do
in an empty apartment?
Climb up the walls?
Brush up against the furniture?
Nothing here seems changed,
and yet something has changed.
Nothing has been moved,
and yet there’s more room.
And in the evenings the lamp is not on.
One hears footsteps on the stairs,
but they’re not the same.
Neither is the hand
that puts a fish on the plate.
Something here isn’t starting
at its usual time.
Something here isn’t happening
as it should.
Somebody has been here and has been,
and then has suddenly disappeared
and now is stubbornly absent.
All the closets have been scanned
and all the shelves run through.
Slipping under the carpet and checking came to nothing.
The rule has even been broken and all the papers scattered.
What else is there to do?
Sleep and wait.
Just let him come back,
let him show up.
Then he’ll find out
that you don’t do that to a cat.
Going toward him
faking reluctance,
slowly,
on very offended paws.
And no jumping, purring at first.
Museu
Há pratos, mas falta apetite
Há alianças, mas falta reciprocidade
pelo menos desde há 300 anos.
Há o leque – onde os rubores?
Há espadas – onde há ira?
E o alaúde nem tange à hora gris.
Por falta de eternidade juntaram
Dez mil coisas velhas.
Um guarda musgoso cochila docemente,
com os bigodes caindo sobre a vitrine.
Metais, barro, plumas de ave
Triunfam silenciosamente no tempo.
Apenas um alfinete da galhofeira do Egito ri zombeteiro.
A coroa deixou passar a cabeça.
A mão perdeu a luva.
A bota direita prevaleceu sobre a perna.
Quanto a mim, vivo, acreditem por favor.
Minha corrida com o vestido continua
E que resistência tem ele!
E como ele gostaria de sobreviver!
In Quatro poetas poloneses. Organização e tradução Henrik Siewierski e José Santiago – edição da Secretaria de Cultura do Paraná, 1995.
Quarto do suicida
Vocês devem achar, sem dúvida, que o quarto esteve vazio.
Mas lá havia três cadeiras de encosto firmes.
Uma boa lâmpada para afastar a escuridão.
Uma mesa, sobre a mesa uma carteira, jornais.
Buda sereno, Jesus doloroso,
sete elefantes para boa sorte, e na gaveta – um caderno.
Vocês acham que nele não estavam nossos endereços?
Acham que faltavam livros, quadros ou discos?
Mas da parede sorria Saskia com sua flor cordial,
Alegria, a faísca dos deuses,
a corneta consolatória nas mãos negras.
Na estante, Ulisses repousando
depois dos esforços do Canto Cinco.
Os rnoralistas,
seus nomes em letras douradas
nas lindas lombadas de couro.
Os políticos ao lado, muito retos.
E não era sem saída este quarto,
aos menos pela porta,
nem sem vista, ao menos pela janela.
Binóculos de longo alcance no parapeito.
Uma mosca zumbindo – ou seja, ainda viva.
Acham então que talvez uma carta explicava algo.
Mas se eu disser que não havia carta nenhuma –
éramos tantos, os amigos, e todos coubemos
dentro de um envelope vazio encostado num copo.
Tradução: Ana Cristina Cesar em colaboração com a polonesa Grazyna Drabik.
La habitación del suicida
Seguramente crees que la habitación estaba vacía.
Pues no. Había tres sillas bien firmes.
Una lámpara buena contra la oscuridad.
Un escritorio, en el escritorio una cartera, periódicos.
Un buda despreocupado. Un cristo pensativo.
Siete elefantes para la buena suerte y en el cajón una agenda.
¿Crees que no estaban en ella nuestras direcciones?
Seguramente crees que no había libros, cuadros ni discos.
Pues sí. Había una reanimante trompeta en unas manos negras.
Saskia con una flor cordial.
Alegría, divina chispa.
Odiseo sobre el estante durmiendo un sueño reparador
tras las fatigas del canto quinto.
Moralistas,
apellidos estampados con sílabas doradas
sobre lomos bellamente curtidos.
Los políticos justo al lado se mantenían erguidos.
No parecía que de esta habitación no hubiera salida,
al menos por la puerta,
o que no tuviera alguna perspectiva, al menos desde la ventana.
Las gafas para ver a lo lejos estaban en el alféizar.
Zumbaba una mosca, o sea que aún vivía.
Seguramente crees que cuando menos la carta algo aclaraba.
Y si yo te dijera que no había ninguna carta.
Tantos de nosotros, amigos, y todos cupimos
en un sobre vacío apoyado en un vaso.
le tre parole più strane
quando pronuncio la parola f u t u r o
la prima sillaba già va nel passato.
quando pronuncio la parola s i l e n z i o
lo annullo.
quando pronuncio la parola n i e n t e
creo qualcosa che non entra in alcun nulla.
discorso ufficio oggetti smarriti – adelphi
As três palavras mais estranhas
Quando pronuncio a palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.
Tradução: Elżbieta Milewska e Sérgio das Neves
de Alguns gostam de poesia- Antologia- Czeslaw Milosz e Wislawa Szymbroska, Cavalo de Ferro, 2004
Las tres palabras más extrañas
Cuando pronuncio la palabra Futuro,
la primera sílaba pertenece ya al pasado.
Cuando pronuncio la palabra Silencio,
lo destruyo.
Cuando pronuncio la palabra Nada,
creo algo que no cabe en ninguna no-existencia.
Versión de Abel A. Murcia
Opinión sobre la pornografía
No hay mayor lujuria que el pensar.
Se propaga este escarceo como la mala hierba
en el surco preparado para las margaritas.
No hay nada sagrado para aquellos que piensan.
Es insolente llamar a las cosas por su nombre,
los viciosos análisis, las síntesis lascivas,
la persecución salvaje y perversa de un hecho desnudo,
el manoseo obsceno de delicados temas,
los roces al expresar opiniones; música celestial en sus oídos.
A plena luz del día o al amparo de la noche
unen en parejas, triángulos y círculos.
Aquí cualquiera puede ser el sexo y la edad de los que juegan.
Les brillan los ojos, les arden las mejillas.
El amigo corrompe al amigo.
Degeneradas hijas pervierten a su padre.
Un hermano chulea a su hermana menor.
Otros son los frutos que desean
del prohibido árbol del conocimiento,
y no las rosadas nalgas de las revistas ilustradas,
pornografía esa tan ingenua en el fondo.
Les divierten libros que no están ilustrados.
Sólo son más amenos por frases especiales
marcadas con la uña o con un lápiz.
De “Gente en el puente” 1986
Versión de Abel A. Murcia
Tortures
Nothing has changed.
The body is susceptible to pain,
it must eat and breathe air and sleep,
it has thin skin and blood right underneath,
an adequate stock of teeth and nails,
its bones are breakable, its joints are stretchable.
In tortures all this is taken into account.
Nothing has changed.
The body shudders as it shuddered
before the founding of Rome and after,
in the twentieth century before and after Christ.
Tortures are as they were, it’s just the earth that’s grown smaller,
and whatever happens seems right on the other side of the wall.
Nothing has changed. It’s just that there are more people,
besides the old offenses new ones have appeared,
real, imaginary, temporary, and none,
but the howl with which the body responds to them,
was, is and ever will be a howl of innocence
according to the time-honored scale and tonality.
Nothing has changed. Maybe just the manners, ceremonies, dances.
Yet the movement of the hands in protecting the head is the same.
The body writhes, jerks and tries to pull away,
its legs give out, it falls, the knees fly up,
it turns blue, swells, salivates and bleeds.
Nothing has changed. Except for the course of boundaries,
the line of forests, coasts, deserts and glaciers.
Amid these landscapes traipses the soul,
disappears, comes back, draws nearer, moves away,
alien to itself, elusive, at times certain, at others uncertain of its own existence,
while the body is and is and is
and has no place of its own.
torture
Nulla è cambiato.
Il corpo è suscettibile al dolore
Deve mangiare respirare e dormire
Ha pelle sottile e subito sotto sangue
Ha una buona riserva di denti e di unghie
Deve mangiare respirare e dormire
Ha pelle sottile e subito sotto sangue
Ha una buona riserva di denti e di unghie
Ossa rompibili e giunture estensibili
Nelle torture di tutto ciò si tiene conto.
Nulla è cambiato.
I! Corpo trema come tremava
Prima della fondazione di roma e dopo
Nel ventesimo secolo prima e dopo cristo
Le torture sono così da sempre
solo la terra è cresciuta di meno
E qualunque cosa accade
Sembra giusta dall’altra parte del muro.
Nulla è cambiato c’è soltanto più gente
Oltre le vecchie offese ne compaiono di nuove
Reali immaginarie temporanee e inesistenti
Ma il grido con cui il corpo risponde loro
era è e sarà un grido di innocenza
Secondo eterni registri e misure
Nulla è cambiato
Se non forse i modi le cerimonie le danze
Anche se !l gesto delle mani
Che proteggono il capo
È rimasto lo stesso.
Il corpo si torce dimena e divincola
le gambe cedono cade le ginocchia in aria
Livido gonfio sbava e sanguina.
nulla è cambiato tranne i confini
La linea dei boschi litorali deserti e ghiacciai.
Tra questi scenari l’anima (animula vagula blandula) vaga
Sparisce ritorna si fa più vicina si allontana
Estranea a sè stessa elusiva
Ora certa ora incerta del proprio esistere
Mentre il corpo c’è e c’è e c’è
E non ha un posto suo…
LA BREVE VITA DEI NOSTRI ANTENATI
Non arrivavano in molti fino a trent’anni.
La vecchiaia era un privilegio
di alberi e pietre.
l’infanzia durava quanto
quella dei cuccioli di lupo.
Bisognava sbrigarsi
Fare in tempo a vivere
prima che tramontasse il sole,
prima che cadesse la neve.
Le genitrici tredicenni,
i cercatori quattrenni di nidi
Fra i giunchi,
i capicaccia ventenni-
un attimo prima non c’erano,
già non ci sono più.
I capi dell’infinito si univano in fretta.
Le fattucchiere biascicavano esorcismi
con ancora tutti i denti della giovinezza.
Il figlio si faceva uomo sotto
gli occhi del padre.
Il nipote nasceva
Sotto l’occhiaia del nonno.
E del resto non si contavano gli anni.
Contavano reti, pentole, capanni, asce.
Il tempo, così prodigo
con una qualsiasi stella del cielo,
tendeva loro la mano quasi vuota,
e la ritraeva in fretta, come dispiaciuto.
Ancora un passo, ancora due
lungo il fiume scintillante,
che dall’oscurità nasce
e nell’oscurità scompare.
Non c’era un attimo da perdere,
domande da rinviare
e illuminazioni tardive,
se non le si erano avute per tempo.
La saggezza non poteva aspettare
i capelli bianchi.
Doveva vedere con chiarezza,
prima che fosse chiaro,
e udire ogni voce, prima che risuonasse.
Il bene e il male –
ne sapevano poco, ma tutto:
quando il male trionfa, il bene si cela;
quando il bene si mostra,
il male attende nascosto.
Nessuno dei due si può vincere
o allontanare ad una distanza definitiva.
Ecco il perchè d’una gioia
sempre tinta di terrore,
d’una disperazione mai disgiunta
da tacita speranza.
La vita, per quanto lunga, sarà sempre breve.
Troppo breve per aggiungere qualcosa.
The Turn of the Century
It was supposed to be better than the others, our 20th century,
But it won’t have time to prove it.
Its years are numbered,
its step unsteady,
its breath short.
Already too much has happened
that was not supposed to happen.
What was to come about
has not.
Spring was to be on its way,
and happiness, among other things.
Fear was to leave the mountains and valleys.
The truth was supposed to finish before the lie.
Certain misfortunes
were never to happen again
such as war and hunger and so forth.
These were to be respected:
the defenselessness of the defenseless,
trust and the like.
Whoever wanted to enjoy the world
faces an impossible task.
Stupidity is not funny.
Wisdom isn’t jolly.
Hope
Is no longer the same young girl
et cetera. Alas.
God was at last to believe in man:
good and strong,
but good and strong
are still two different people.
How to live–someone asked me this in a letter,
someone I had wanted
to ask that very thing.
Again and as always,
and as seen above
there are no questions more urgent
than the naive ones.









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