Tive muita pena de não ter conseguido ver esta peça ao vivo mas, felizmente, a Tinta da China publicou o texto da peça escrito por Tiago Rodrigues.
Em «Catarina e a beleza de matar fascistas» temos uma família que se junta todos os anos numa casa de campo para almoçar e matar um fascista. Há mais de 70 anos que esta família cumpre esta tradição. Mas hoje, a Catarina de 26 anos que vai matar o seu primeiro fascista, que raptou de propósito para o efeito e que é deputado no parlamento, não consegue disparar o tiro - "tenho dúvidas", "não consigo ver neste homem um assassino", "porque é que continuamos a matar fascistas se já não vivemos em ditadura?".
O texto lança muitas perguntas, mas poucas respostas.
O que é o fascismo? Até que ponto deve ir a liberdade de expressão? E a liberdade daquilo que um político pode dizer e legislar? A violência é justificável na luta por um mundo melhor? O fascismo quebra as regras da democracia mas podemos quebrar as regras da democracia para combater o fascismo? Como é que combatemos o fascismo, ou o racismo, ou a homofobia, ou o machismo? Como é que regulamos o discurso de ódio? Ou permitimos que tudo seja dito em prol da liberdade de expressão?
