Não é segredo para ninguém o quanto eu amo ler/fazer retrospectivas literárias! A minha meta sempre é bater a quantidade de livros lidos no ano anterior, mas em 2018 eu infelizmente não consegui. Bate uma decepção, mas a leitura em si é muito mais importante que qualquer outra coisa, né? Fui muito mais crítica do que imaginei no ano passado, mas ainda assim dei cinco estrelas para alguns livros e é sobre eles que vou conversar com vocês hoje. As obras estão em ordem de leitura, não de preferência.

Entre Irmãs
Frances de Pontes Peebles
Editora Arqueiro
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Ganhador do Prêmio de Ficção do Friends of American Writers e agora adaptado para o cinema, Entre irmãs é uma história de amor e lealdade, um romance arrebatador sobre a saga de uma família e de um país em transição.
Nos anos 1920, as órfãs Emília e Luzia são as melhores costureiras de Taquaritinga do Norte, uma pequena cidade de Pernambuco. Fora isso, não podiam ser mais diferentes.
Morena e bonita, Emília é uma sonhadora que quer escapar da vida no interior e ter um casamento honrado. Já Luzia, depois de um acidente na infância que a deixou com o braço deformado, passou a ser tratada pelos vizinhos como uma mulher que não serve para se casar e, portanto, inútil.
Um dia, chega a Taquaritinga um bando de cangaceiros liderados por Carcará, um homem brutal que, como a ave da caatinga, arranca os olhos de suas presas. Impressionado com a franqueza e a inteligência de Luzia, ele a leva para ser a costureira de seu bando.
Após perder a irmã, a pessoa mais importante de sua vida, Emília se casa e vai para o Recife. Ali, em meio à revolução que leva Getúlio Vargas ao poder, ela descobre que Luzia ainda está viva e é agora uma das líderes do bando de Carcará.
Sem saber em que Luzia se transformou após tantos anos vagando por aquela terra escaldante e tão impiedosa quanto os cangaceiros, Emília precisa aprender algo que nunca lhe foi ensinado nas aulas de costura: como alinhavar o fio capaz de uni-las novamente.

Eu me apaixonei por esta história quando assisti a minissérie da Globo protagonizada por Marjorie Estiano e Nanda Costa. Eu dormia e acordava pensando nas irmãs Luzia e Emilia e me emociono até hoje quando penso nessas costureiras. Entre Irmãs é um dos meus livros preferidos. Poucas vezes na vida tive o prazer de ler uma trama tão bem construída. É simplesmente maravilhoso!

Ava Dellaira

Editora Seguinte


Em seu novo romance arrebatador, a autora de Cartas de Amor aos Mortos apresenta uma mãe e uma filha que precisam compreender o passado para poder seguir em frente.
Quando tinha dezessete anos, Marilyn viveu um amor intenso, mas acabou seguindo seu próprio caminho e criando uma filha sozinha. Angie, por sua vez, é mestiça e sempre quis saber mais sobre a família do pai e sua ascendência negra, mas tudo o que sua mãe contou foi que ele morreu num acidente de carro antes de ela nascer.
Quando Angie descobre indícios de que seu pai pode estar vivo, ela viaja para Los Angeles atrás de seu paradeiro, acompanhada de seu ex-namorado, Sam. Em sua busca, Angie vai descobrir mais sobre sua mãe, sobre o que aconteceu com seu pai e, principalmente, sobre si mesma.

Se tem uma coisa que eu amo é quando me surpreendo com as histórias. Eu amei Aos Dezessete Anos e nunca imaginei que isso ia acontecer porque eu achei Cartas de Amor aos Mortos bem mediano. Ainda bem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, né? Tramas que envolvem racismo geralmente mexem muito comigo por motivos óbvios. Esse é o tipo de história que tem que ser contada mesmo, porque é extremamente real. 

Extraordinárias
Duda Porto de Souza & Aryane Cararo

Editora Seguinte

Dandara foi uma guerreira negra fundamental para o Quilombo dos Palmares. Bertha Lutz foi a maior representante do movimento sufragista no Brasil. Maria da Penha ficou paraplégica e por pouco não perdeu a vida, mas sua luta resultou na principal lei contra a violência doméstica do país. Essas e muitas outras brasileiras impactaram a nossa história e, indiretamente, a nossa vida, mas raramente aparecem nos livros. Este volume, resultado de uma extensa pesquisa, chega para trazer o reconhecimento que elas merecem. Aqui, você vai encontrar perfis de revolucionárias de etnias e regiões variadas, que viveram desde o século XVI até a atualidade, e conhecer os retratos de cada uma delas, feitos por artistas brasileiras. O que todas essas mulheres têm em comum? A força extraordinária para lutar por seus ideais e transformar o Brasil.

A gente não tem noção da quantidade de mulheres importantes que existiram/existem no nosso país. Eu mesma só fui conhecer a maioria delas quando li Extraordinárias, uma verdadeira enciclopédia de mulheres f*das. A riqueza de conteúdo é impressionante, além de ser um livro muito importante para o movimento feminista. 

Pénélope Bagieu

Editora Nemo

Margaret, atriz “aterrorizante”, especializada nos papéis mais perversos de Hollywood; Agnodice, ginecologista da Grécia Antiga que teve de se disfarçar de homem para exercer a profissão; Lozen, mulher Apache, guerreira e xamã…
Pénélope Bagieu traça, com humor e sagacidade, quinze retratos de mulheres excepcionais que enfrentaram a pressão social de seu tempo e se tornaram donas de seus próprios destinos.
“Uma graphic novel para quebrar preconceitos.”
Elle

O meu interesse por livros feministas aumentou muito em 2018 e Ousadas é maravilhoso, principalmente porque mostra que nós, mulheres, podemos e devemos ser protagonistas da nossa própria história. É uma obra muito interessante para mostrar para crianças, porque a linguagem é muito acessível — um ponto super positivo, na minha opinião.

Quem Tem Medo do Feminismo Negro?
Djamila Ribeiro
Editora Companhia das Letras
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Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.
Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.

Este livro é importante por diversos motivos, mas principalmente porque deixa claro que o feminismo une as mulheres por causa do gênero, mas que existe um fator que nos separa: o racismo. Aqui, eu aprendi muito sobre essa vertente do feminismo através de uma pessoa que sabe exatamente do que está falando. Eu amei Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, que além de tudo, é cheio de referências sobre um bocado de mulher sensacional.

Camila Fremder

Editora Paralela

A vida adulta chega de uma hora para outra e nem sempre estamos preparados para ela. E tudo bem.
Um dia você é a jovem moderna que ouve música alta e incomoda a vizinha. Num piscar de olhos é você quem está interfonando para o porteiro e reclamando, aos berros, do som da garota que mora no andar de cima. O que aconteceu? Simples: a vida adulta chegou. Quer dizer, não tem nada de simples.
Como Camila Fremder mostra neste seu novo livro, a vida adulta costuma chegar de uma hora para outra, sem avisar, sem um curso preparatório, sem nada. Ou pelo menos é assim que a gente se sente. E a consequência disso é muito estranhamento, reflexões e boas risadas.
Saem de cena as noites agitadas e os dias sem grandes preocupações, sendo substituídos por fraldas (no caso de quem tem filho), boletos e muita paranoia com a aparência. Com observações perspicazes e bom humor, Camila nos ajuda a entender e aceitar melhor essa transição. Um livro que você não vai conseguir largar. A menos que o bebê acorde ou esteja na hora de você correr para o batente.

Se alguém estiver procurando um livro para morrer de tanto rir, Adulta Sim, Madura Nem Sempre é a escolha perfeita. Apesar de não ser tão adulta assim, me identifiquei demais com a Camila. Na verdade, parece que sou amiga dela, de tão boa que a escrita é. Eu literalmente dei gargalhadas e me senti muito representada com as histórias narradas pela autora. 

Jeff Zentner

Editora Seguinte

Dill não é um garoto popular na escola — e não é culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tão excluídos ali quanto ele. Assim que os três começam o último ano do ensino médio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis está feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dívidas que seu pai deixou para trás. Só que o futuro nem sempre segue nossos planos — e a vida de Dill, Travis e Lydia está prestes a mudar para sempre.

Eu não esperava gostar tanto de Juntos Somos Eternos. Achei o título muito, muito legal e resolvi dar uma chance, graças a Deus, porque virou até favorito. Chorei demais com o plot twist, mas a mensagem de Jeff Zentner sobre o poder da amizade e sobre ter esperança e fé é bonita demais. Fico emocionada só de me lembrar.

Quando fiz minha retrospectiva literária de 2018 no Skoob logo no dia primeiro de janeiro, vi que a minha nota média para os livros foi 3.7 e cheguei a uma conclusão: estou tão chata, ranzinza e calejada que está ficando cada vez mais difícil me conquistar. Mas realmente li bastantes livros bons, e espero que em 2019 não seja diferente!